Rener Lopes
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Foto: Minervino Júnior
A 11ª Delegacia de Polícia desencadeou, na manhã desta terça-feira (24), a Operação Malibu, com o objetivo de cumprir mandados de prisão em alguns pontos do Distrito Federal. A investigação acontece há dois meses, quando a Polícia Civil identificou os acusados de praticar vários crimes.
Na última terça-feira (17), um veículo com o nome da operação – avaliado em mais de R$ 100 mil – havia sido roubado na cidade histórica. Ele foi recuperado e deixado na delegacia do Núcleo Bandeirante na madrugada de quarta-feira. Em represália, os acusados do roubo acabaram queimando o utilitário para retirar as impressões digitais antes da perícia dos policiais e, durante a ação, trocaram tiros com os agentes. Neste dia, quatro pessoas foram presas em flagrante e sete armas foram apreendidas.
No último sábado (21), por meio da Central Integrada de Atendimento e Despacho (Ciade), os policiais receberam uma denúncia com a ameaça de que a sede da 11ª DP e o posto de atendimento policial na entrada de Candangolândia seriam queimados e que os delegados que estivessem neste caso, bem como o titular João Carlos Lóssio, seriam mortos. Com estas informações, a Polícia cruzou os dados e prendeu mais duas pessoas em flagrante.
A partir daí, foi solicitado, junto aos juízes de plantão no feriado, a expedição de 30 mandados de prisão. No início desta terça-feira, 22 pessoas foram presas, entre homens e mulheres e um adolescente foi apreendido na Candangolândia e no Riacho Fundo I. Helicópteros da Polícia Civil e viaturas de outras delegacias do Distrito Federal deram apoio na busca aos suspeitos durante toda a manhã.
Todos os detidos agiam na região e em outras cidades, como Sudoeste, Guará, Plano Piloto e Setor de Postos e Motéis e já tinham antecedentes policiais. Com eles, a Polícia apreendeu diversos objetos de carro, celulares, 10 kg de entorpecentes, munições – entre elas algumas de uso exclusivo das Forças Armadas –, armas e vários computadores.
O “gerente” do local, C.S.B., de 21 anos, era o dono das armas apreendidas e foi detido na mesma quarta-feira da troca de tiros na 11ª DP. Já o líder da quadrilha, C.P.T., de 24 anos, segue foragido. Ele era responsável por abastecer a maioria dos pontos de tráfico de drogas na cidade e estava em prisão domiciliar.
Intimidação
O domínio dos acusados na região era tamanho que a quadrilha se intitulava Primeiro Comando da Candangolândia e pichava a sigla “PCC” (foto) nas paredes das residências da cidade. “O objetivo deles era agir tal qual a sigla homônima que existe em São Paulo, o Primeiro Comando da Capital, de maneira a intimidar a população”, explicou o delegado. A Polícia Civil vai agora investigar se existe alguma relação entre as duas quadrilhas.
Uma das maneiras de demonstrar o “domínio” da região era pichando as residências. Um dos locais fica na QR 05 da cidade, com o título “A Firma PCC”. A reportagem do portal Clicabrasilia tentou falar com algum morador, mas todos preferiram o silêncio, com medo de represálias.
Ao todo, 34 pessoas foram detidas nos sete dias de atuação. Outros sete suspeitos seguem foragidos e podem ser presos a qualquer momento. Todos responderão por sequestro relâmpago, disparo em via pública, tentativa de homicídio, assalto, tráfico de drogas, associação ao tráfico de drogas, roubo de veículo, ameaça e porte ilegal de armas. Se condenados, cada um pode pegar mais de 30 anos de reclusão.