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Operação looping cumpre oito mandados de busca e apreensão

O grupo é composto por cinco integrantes: empresários, um advogado (preso em flagrante por estelionato) e um antigo tabelião do Cartório de Notas e Registro Civil de Limeira(MG), que produziu uma procuração falsa

Após deflagrar a Operação Looping, policiais cumpriram na manhã desta terça-feira (25), mandados de busca e apreensão em um imóvel a beira-mar, em Salvador (BA). Um empresário alvo da operação foi surpreendido no local.

Foram apreendidos um revólver calibre .38, sem registro, o que resultou na prisão em flagrante do investigado que também teria um iate avaliado em R$ 900 mil.

Além do empresário, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Corf (Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Ordem Tributária e a Fraudes),e as Polícias civis da Bahia e Goiás, realizou mais oito mandados, cumpridos no Gama, Águas Lindas(GO), Goiânia(GO) (empresa e residências), Salvador(BA) (empresa e em um iate) e Lauro de Freitas (BA) ( local da residência do empresário).

O grupo é composto por cinco integrantes: empresários, um advogado (preso em flagrante por estelionato) e um antigo tabelião do Cartório de Notas e Registro Civil de Limeira(MG), que produziu uma procuração falsa.

De acordo com a coordenação, o tabelião, destituído do cargo em 2015 em razão das inúmeras procurações e escrituras falsas, continuou a produzir documentos ideologicamente falsificados.

Os investigados invadiram a área, falsificaram um documento da Terracap, que informava que era terra é pública, e fizeram um contrato de mútuo de R$ 400 mil com uma financeira, dando como garantia parte do terreno.

Os envolvidos irão responder pelos crimes de falsidade ideológica, falsificação de documentos, uso de documentos falsos, esbulho possessório, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As penas podem ultrapassar 25 anos de reclusão.

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Entenda o caso:

  • Um casal de idosos possui uma fazenda na região do Gama. Um dos proprietários morre no ano de 2019, aos 91anos, deixando a propriedade para sua esposa,uma senhora de 91anos, e para os demais herdeiros. Um antigo amigo da família, que tentou por dez anos que o proprietário lhe confiasse a administração da fazenda, decide falsificar uma procuração de plenos poderes para poder vender, transferir, alienar em garantia, hipotecar e até retificar a área do imóvel.
  • Em março de 2020, cinco homens se reúnem com o intuito de praticar os crimes de falsidade ideológica, falsificação de documentos públicos, uso de documentos falsos, esbulho possessório e lavagem de capitais, associando-se para simular um negócio jurídico inexistente e assim conseguir vantagem econômica com a transferência da referida fazenda.
  • Após a falsificação de diversos documentos, dentre eles papéis emitidos pela TERRACAP, os investigados apresentam pedido para a lavratura de escritura pública de compra e venda do imóvel rural, no 7º Ofício de Notas de Samambaia. A escritura é lavrada após a confirmação de uma procuração pública outorgada em favor do ex-amigo da família, emitida de forma fraudulenta.
  • O responsável pela emissão da procuração falsa é um ex-tabelião interino do Cartório de Notas e Registro Civil do distrito de Limeira(MG), que havia sido afastado do cargo por conta da lavratura de inúmeras procurações e escrituras falsas, envolvendo imóveis de elevado valor. O ex-tabelião fez inserir informação falsa em resposta aos cartórios do Distrito Federal confirmando a “veracidade” da procuração que daria lastro jurídico à emissão da escritura de compra e venda do imóvel rural no DF, objeto de cobiça da associação de criminosos.
  • Surge um falso comprador, por meio de um “laranja”. Após isso, o referido imóvel é dado como garantia em contratos de mútuo (empréstimos) junto à instituições bancárias.
  • Os investigadores acreditam que o objetivo dos criminosos é garantir a propriedade do imóvel, dissimulando a verdadeira propriedade do mesmo e inviabilizara a procedência de ações judiciais promovidas pelos herdeiros dos verdadeiros donos, ou fazendo com que terceiros de boa-fé comprem o imóvel e posteriormente descubram que foram enganados.








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