Menu
Brasília

Operação El Coche combate grupo criminoso na Cidade do Automóvel

Segunda operação realizada pela 8ª DP em menos de 40 dias com o foco em esquemas criminosos em compra e venda de carros na Cidade do Automóvel

Amanda Karolyne

03/07/2024 19h07

img 3206

Foto: Divulgação/PCDF

Nos últimos 15 dias um grupo criminoso que atuava na Cidade do Automóvel foi alvo da Operação El Coche, da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão. Além disso, também foram cumpridos seis mandados de bloqueio judicial das contas bancárias dos investigados, que totalizam cerca de R$3,3 milhões e oito afastamentos de sigilo telemáticos. A 8ª DP alerta para que os consumidores se atentem para possíveis golpes na hora de comprar ou vender o carro.

As investigações que começaram há seis meses, chegaram a duas lojas que eram usadas pelo grupo criminoso: Grand Car e M 2 MOTORS. Eles aplicavam golpes contra compradores de veículos, e durante a apuração foram apreendidos três carros de luxo, avaliados em aproximadamente R$1,5 milhão, variados aparelhos de telefone, cartões bancários, cheques e chaves de veículos. “Os imóveis estão em nome de terceiro, esses veículos de luxo também se encontram em nome de terceiros e são pessoas que não tem perfil para adquirir carros de luxo”, afirmou o delegado responsável pela operação, Rodrigo Carbone.

As investigações vão seguir em curso. Até agora foram identificadas mais de 20 vítimas feitas pelos golpistas. Os investigados foram indiciados pela prática dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato. Eles podem ser condenados a penas superiores a 15 anos de reclusão.

Carbone explica que das cinco prisões preventivas, três foram cumpridas. A de Michel de Carvalho Santos, Plinio Araujo Pereira e Leonardo Araújo de Queiroz. Dos três, somente Michel, o líder do esquema, continua preso. Os outros dois suspeitos estão foragidos, um deles é considerado o segundo mandante dos crimes. Segundo Carbone, um dos criminosos já era conhecido da Polícia Civil do Rio de Janeiro, onde implementou diversos golpes de estelionato também.

O delegado comentou que Michel está sendo investigado pelo crime de Maria da Penha, fugindo do perfil de estelionatário comum. “Ele tem um grau de agressividade maior e também tem diversas ocorrências por inúmeros crimes como desacato a autoridade, ameaças, lesão corporal, porte de arma e invasão de área pública”.

Golpe comum na Cidade do Automóvel

A primeira fase da operação foi finalizada nesta quarta-feira (3), e um dos objetivos da delegacia, como a delegada-chefe Bruna Eiras explica, é o combate aos crimes de estelionato na Cidade do Automóvel, relacionado às vendas de veículos. “Percebemos que várias lojas vêm sendo alvo de ocorrências policiais por estar perpetuando o mesmo tipo de golpe. E a gente está atuando de forma que os consumidores do DF adquiram o seu veículo de uma forma mais segura”.

Em um ano de gestão da Cidade do Automóvel, Bruna apontou que foram feitas cinco operações com o viés de combater o crime de estelionato na compra e venda de carros. Em junho foi realizada a Operação Babilônia, que junto da Operação El Coche, resultou em dez mandados de prisão, dezesseis mandados de busca e apreensão e onze bloqueios de conta, com o montante total de R$15,8 milhão para o ressarcimento das vítimas e 13 quebras de sigilo. “A 8a DP está atuando nesse sentido de minimizar o prejuízo da vítima e tentar alertar os consumidores a não caírem nos golpes”.

O modus Operandi

Segundo a delegada, foi concluído que os golpistas atuam da mesma maneira. Os criminosos pegam o carro em consignação de pagamento e deixam esse veículo à venda na loja. Uma terceira pessoa de boa fé adquire esse veículo e esse dinheiro da venda não é repassado para o real proprietário do veículo.

A outra forma de agir desses golpistas funciona assim: eles pegam um veículo com financiamento, falam para a vítima que vão pagar esse ágio, só que a pessoa não recebe o valor e ainda fica com a obrigação de pagar essa parcela. Esse carro ainda é vendido para uma outra vítima. “E na verdade, o estelionatário dá golpe em duas pessoas ao mesmo tempo, a pessoa que deixa o carro e a segunda pessoa que adquire o carro achando que está fazendo um bom negócio, mas adquire um veículo com uma alienação fiduciária e não consegue transferir esse veículo para o nome dela”.

A recomendação da delegada é que as pessoas que pretendem adquirir um veículo, devem buscar nos sites de pesquisas como o Reclame Aqui, os nomes das lojas e que procurem saber se há processos em andamento no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). “Porque nesse caso da operação desta semana, a empresa simplesmente mudou de nome, mas por trás são os mesmos criminosos. Então, verifiquem se a loja é nova ou não no ramo”. Caso a loja seja nova, qual era a loja anterior e qual o motivo de ter fechado.

Além disso, a indicação é para que não seja feito nenhum contrato verbal. “Porque a gente percebe que as vítimas confiam que estão num local aparentemente destinado à venda de veículos, então eles acreditam estar fazendo negócio com pessoas de boa índole e deixam o carro sem nenhum contrato por escrito”. Outras orientações são para que as pessoas não passem documentos via WhatsApp e não repassem dados pessoais.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado