Francisco Dutra
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Ele tinha casa, família, condições de estudar e de alcançar um emprego, mas vivia nas ruas. Seguindo os passos de grande parte dos demais moradores de rua, Paulo Cezar deixou o conforto do lar para tentar a sorte, sem teto, pelo Distrito Federal. “Não foi por falta de amor, não foi falta de atenção e não foi por desleixo”, desabafou Izabel Virginia Maia, irmã de Paulo.
Na lembrança de Izabel, as primeiras idas de Paulo para a rua foram quando ele tinha 15 anos, na época em que viviam na Paraíba. Estudo e afeto estavam à disposição, mas Paulo preferiu outro caminho. Segundo a irmã, a opção foi motivada por amizades e consumo de bebida alcoólica. A família também suspeita do envolvimento com drogas.
Paulo Cezar passava de dez a 15 dias longe de casa. De acordo com Izabel, após banho, refeição e o pedido por dinheiro, ele regressava para a vida sem teto. Paulo veio morar no DF junto com uma tia. A esperança de outro rumo nasceu entre os parentes quando Paulo se alistou no Exército. No entanto, a irmã contou que os sonhos perderam o tom, no momento da dispensa. O rapaz então voltou a morar na Paraíba e a situação piorou.
As brigas eram constantes dentro de casa. “Tivemos a suspeita que ele tinha algum tipo de transtorno. Chamei dois colegas policiais e conseguimos interná-lo, mas ele conseguiu fugir da clínica”, contou a irmã. Paulo voltou mais uma vez para o DF, de novo para a casa da tia. No relato de Izabel, os problemas entre Paulo e a tia começaram a transbordar. Para conter a situação, a mãe de Paulo e Izabel se mudaram para a capital brasileira.
A mãe teve que voltar e Izabel passou a ser a responsável pelo irmão. E, até hoje, ela espera retirar Paulo Cezar das ruas. Uma batalha que ela aprendeu a se blindar para suportar. “Ele me pede R$ 1 para cigarro, mas não aceita R$ 10 para tomar banho e fazer o cabelo”, contou Izabel.
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