Renata Rios
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Durante o verão é possível notar um crescimento na quantidade de pessoas que vão às academias em todo o Distrito Federal. Entre os meses de outubro e março, a quantidade de alunos, e a freqüência deles, é significativamente maior. Algumas academias chegam a ter um faturamento 30% superior nesse período, em relação ao resto do ano. Por trás dessa luta pelo “corpo perfeito” pode se esconder uma doença chamada Vigorexia, em que a pessoa apresenta uma verdadeira compulsão em malhar.
Segundo os especialistas, a vigorexia é um distúrbio de imagem corporal. As vítimas desta doença se vêem fracas, elas querem passar horas malhando para ficarem mais fortes. Algumas pessoas afetadas por este problema chegam a utilizar anabolizantes para ganhar massa muscular, pois não se acham donos de um corpo ideal. A psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina, Ana Paula Pongelupe, explica que as pessoas não se vêem de fato como são. “A imagem que o vigoréxico tem de si não condiz com o que as outras pessoas vêem”, explica a psicóloga.
São comuns os casos que estes doentes passam a ter uma obsessão por seus corpos. “Cuidados excessivos com a aparência do corpo são sintomas. O doente tem uma insatisfação com sua aparência que pode se desenvolver em uma depressão e causar ansiedade”, complementa Ana Paula. O vigoréxico pode se afastar do convívio social e se privar de algumas atividades em função de sua aparência. O tratamento que este distúrbio necessita muitas vezes envolve a prescrição de medicamentos e psicoterapia.
A psicóloga avalia a importância da ajuda da família para detectar este distúrbio. “Como a maioria dos casos acontecem com jovens, os pais podem ser de grande ajuda”, afirma Ana Paula. A causa dessa doença normalmente está relacionada a problemas anteriores, como a baixa auto-estima, por exemplo. A doença atinge principalmente jovens do sexo masculino, ao contrário da anorexia que é mais comum entre mulheres.
Outra dificuldade é a negação do problema. Os vigoréxicos não se vêem como doentes. “Todo tratamento psicológico necessita de envolvimento do paciente, esta resistência em assumir o problema dificulta”, pondera a psicóloga. De fato a idéia de cuidar do corpo parece uma atitude saudável, o problema no caso dos vigoréxicos é o distúrbio na imagem, eles nunca estão satisfeitos com sua forma física. “Achamos exemplos de pessoas compulsivas em todas as academias. Não é difícil achar alguém que malhe de segunda a segunda”, conta o personal trainer Vitor Riveira. A doutora Ana Paula concorda com a colocação do personal. “Encontramos diversos exemplos todos os dias de pessoas obcecadas com seu físico, porém eles não se reconhecem como doentes”, explica a psicóloga.
Vitor explica que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda atividades físicas diárias. “Cerca de 30 minutos por dia seriam o suficiente. Estes exercícios não devem ser sempre o mesmo, um dia a pessoa pode correr, no outro fazer exercícios aeróbicos e no outro anaeróbicos”, complementa o personal. O excesso de atividades pode ter conseqüências sérias, como lesões. Ou o chamado ‘over training’, que causa estresse, distúrbios metabólicos e alterações hormonais. Ana Paula complementa que a frustração que o vigoréxico sente ao não atingir sua aparência ideal é maléfica para a pessoa.
A obsessão pela forma física não acontece só no Brasil. “Este é um problema estudado mundialmente. Vemos especialistas do Chile à Dinamarca desenvolvendo pesquisas sobre o assunto”, conclui Ana Paula.