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Brasília

O triste drama de Lívia

Arquivo Geral

09/11/2013 11h00

Eric Zambon

Especial para o Jornal de Brasília


A vida do casal Rosiane e Vicente mudou às 21h de uma sexta-feira, em fevereiro de 2008. Lívia Evellyn, à época com cinco meses de vida, começou a tremer e ficou roxa. Rosiane chorava e berrava com a filha, tentando reanimá-la. Vicente tirou a criança dos braços da mãe e a colocou na cama. Os dois ficaram esperando e, aí, o bebê parou de se mexer, só por alguns instantes.

 

Já no hospital, uma hora depois, um médico não acreditou que Lívia estivesse doente até presenciar um ataque da menina. A decisão foi interná-la imediatamente.

 

Essa foi a primeira das muitas convulsões que a filha de Rosiane de Sousa Araújo, 28 anos, e Vicente de Paula, 38, viria a sofrer nos anos seguintes. Hoje, “portadora de neuropatia e com diagnóstico de Síndrome de West” (espécie de epilepsia caracterizada por espasmos), segundo relatório da médica residente em Cirurgia Pediátrica do Hmib Francileide Lira, a criança já passou por quatro cirurgias (em breve deve ser submetida à quinta) e toma três remédios antes das seis da manhã. Pesando 12 quilos, Lívia fez seis anos no dia 1° de outubro.

 

Mudança de ares

 

Rosiane deixou a cidade de Parnaíba, no Piauí, aos 13 anos, com a tia, para ajudar uma prima que morava em Santo Antônio do Descoberto (GO), na Região Metropolitana do DF. “A gente era muito pobre. Viemos atrás de uma vida melhor”, conta ela, que ainda mora na cidade. Rosiane conheceu Vicente na igreja e, quatro anos depois de chegar ao DF, casou e foi morar com o marido em um barraco de madeira. “Perdi um filho quando eu tinha 17 anos. Após um ano, fiz tratamento para não deixar minha placenta se descolar como da última vez e consegui ter minha filha”, afirmou.

 

Débora, hoje com 10 anos, é saudável. Este ano, termina o mesmo 5° ano que sua mãe nunca transpôs. A ideia era que a família não crescesse mais. Mas, no início de 2007, os planos vieram abaixo com a terceira gravidez de Rosiane. Dessa vez, ela não pode fazer o tratamento e Lívia nasceu prematura de sete meses. Antes das convulsões, a criança tinha complicações. “Ela vomitava toda hora, mas amamentou normalmente até um ano”, diz.

 

Nos últimos cinco anos, Lívia foi tratada no Hmib, Sarah Kubitschek, Hospital da Criança e Hospital de Base. Também visitou médicos e especialistas e fez duas fundoplicaturas (cirurgia de estômago) e duas traqueostomias. A rodagem deu experiência a Rosiane. “Fui aprendendo os procedimentos”, conta.

 

A falta de escolaridade não foi obstáculo para a mãe, que fala em gastrostomia, tetraplegia espástica e hérnia de hiato como acabasse de sair da residência médica.

 

Luta diária

 

Há dois meses a família se mudou da casinha atrás de uma igreja para a atual residência, no Parque Estrela Dalva 11, ainda em Santo Antônio. O motivo foi a falta de condições de higiene na antiga moradia. “Tinha mofo e pedaços de forro caindo. Assumimos uma dívida e financiamos o imóvel pelo Minha Casa, Minha Vida”, diz. Eles não conseguiram auxílio financeiro do governo por enquanto, pois a renda mensal é superior a um salário, mínimo. Apesar disso, os “mil e poucos” que Vicente ganha em trabalhos como pedreiro no DF não são o bastante. Lívia já ficou dias sem comer direito por falta de alimentos da dieta especial dela. Rosiane não hesita em procurar ajuda. A necessidade é constante e a solidariedade, sempre bem-vinda. 

 

Mãe aceita a dor e tem amor incondicional

 

Apesar de toda a situação, durante a entrevista, a expressão no rosto de Rosiane era serena. Ela mostrava o calhamaço de papéis com receitas médicas e diagnósticos sem demonstrar emoção mais intensa. De vez em quando, ainda acudia uma crise de refluxo da filha ou colocava meias em seus pezinhos gelados.

 

Talvez seja a timidez que anunciou ter ao receber a reportagem, ou as noites sem dormir devido às necessidades de Lívia, nos últimos seis anos. Seus olhos, porém, pareciam expressar a aceitação com a situação e, da resignação, a certeza de que amava sua filha o bastante para superar a adversidade. Rosiane vive para cuidar da menina.

 

Agitação

 

O único instante em que ela mudou reagiu de maneira mais agitada foi ao comentar sobre os cuidados com a filha. Depois de anos passando por gente que nem sempre entende a gravidade da situação, ela diz: “Não deixo essa menina aos cuidados de mais ninguém. Só quem sabe cuidar dela sou eu”. Coisas de mãe.

 

Lista de necessidades

 

As doações são imprescindíveis para que Rosiane consiga prover tudo o que a filha precisa. Ajude a família!

 

Neocate Advance, lata 400gr (Lívia consome cerca de 15 latas por mês e é o único alimento que ela pode ingerir atualmente)

 

Comprimidos Losec Mups 20 mg.

 

Fixador de Cânula de traqueostomia (Portex – Smiths Medical)

 

Fralda descartável pediátrica tamanho XG

 

Forração ortopédica de espuma caixa de ovo

 

Telefones para contato: (61) 9199-0183/ (61) 8457-3725/ (61) 8198-9793.

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