“Tá vendo aquele edifício, moço? Ajudei a levantar”. A música é de Zé Ramalho, mas a melodia que traz o nome “Cidadão” revela muito da vida do paraense José Cláudio Bastos, 55 anos. Trabalhador da construção civil há 35 anos, o analista da área de segurança carrega na memória e nas três carteiras de trabalho experiências históricas. São recordações dos anos 90 e 2000 difíceis de esquecer.
O currículo é recheado de boas lembranças. Natural de Belém do Pará, ele colaborou com as principais construções que se tornaram cartão postal da capital. A primeira delas foi o Aeroporto JK. De 1990 a 1994, Cláudio, como prefere ser chamado, foi técnico de segurança da obra. E foi a inauguração do aeroporto que deu a chance de ele e outros três colegas de trabalho conhecerem Brasília.
Mudança
Do Pará ele veio direto para o Distrito Federal acompanhado da mulher, Albenir Bastos, hoje também com 55 anos, e dos três filhos, todos pequenos à época. A coragem e os desafios vieram na bagagem. A temporada na capital se transformou em permanente. Como técnico de segurança, o paraense deslanchou. Logo em seguida veio o trabalho na primeira fase de construção da linha do metrô.
Aí não teve como sair mais de Brasília. As oportunidades foram ficando cada vez mais evidentes, como a obra do Shopping Pátio Brasil, a Ponte Juscelino Kubitschek (3ª Ponte) e o Hospital de Santa Maria. “O objetivo era garantir acidente zero nas obras. Eu desempenhava a função da parte de prevenção de riscos, inspeção de segurança e treinamentos de funcionários”, explica.
As marcas do tempo estão enraizadas nas expressões do rosto, na barba já branca e no cabelo grisalho. “Quando vejo o aeroporto sendo ampliado, o Pátio Brasil ainda bonito e a 3ª Ponte como cartão postal é emocionante demais”, ressalta.
Em busca de novos desafios
A última construção em que José Cláudio Bastos trabalhou como analista de segurança foi a Fábrica da Medley no Porto Seco do DF. Mais um sucesso e a sensação de dever cumprido na vida do paraense. “O que dá sensação de conquista é terminar uma obra e não ver nenhum acidente fatal ou grave. Me apaixonei pela profissão. É gratificante saber que preservo vidas”, destaca.
Na cidade natal, em Belém, Cláudio atuou no trecho da linha de transmissão de 500 KV que liga Tucuruí até a capital. Outro marco foi o trabalho por sete anos na obra da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. Avô de cinco netos, no último dia 17 o paraense conseguiu dar entrada no pedido de aposentadoria. Mas a carreira está longe de acabar.
“Não tem condições de ficar sentado em frente à televisão”, diz. Quanto ao futuro, tudo já está planejado: “Vou mandar currículo para a obra de ampliação do metrô para a Asa Norte. E também tem o túnel em Taguatinga. Sempre gostei de desafios, aventuras e obras difíceis”.
Currículo

José Cláudio Barbosa Bastos, 55 anos, tem 35 anos de profissão como técnico de segurança e, hoje, é analista de segurança da área de construção civil.
Com o salário ele construiu a casa onde mora há 17 anos em Valparaíso de Goiás. Cláudio também é dono de outros três imóveis.
Os três filhos hoje têm 33, 32 e 30 anos. O mais novo seguiu os passos do pai e também é técnico de segurança no Rio de Janeiro.
Na capital carioca, Cláudio trabalhou no gasoduto da Petrobrás, além da privatização da Rodovia Presidente Dutra.