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Brasília

O gigante está de volta

Arquivo Geral

14/08/2013 7h44

O gigante voltou a se mexer. Após um período de calmaria, a capital federal virou palco de manifestações novamente. Dessa vez, os protestos foram no Itapoã, Fercal e na Vila Telebrasília. Mesmo com motivações diferentes, as reivindicações tinham um ponto em comum: o desespero de uma sociedade que clama por seus direitos básicos.

 

Na Vila Telebrasília, a manifestação contou com a participação de aproximadamente 70 pessoas. Entre as principais reivindicações estão a retirada dos lotes da vila da licitação da Terracap, a entrega dos lotes dos filhos dos pioneiros da região, entrega das escrituras dos moradores, construção do parque ecológico, passarelas, creche e escola de Ensino Fundamental, reforma da quadra poliesportiva e implantação de um terminal de ônibus.

 

Transporte escolar

 

Na Fercal, aproximadamente 150 manifestantes fecharam todas as vias de acesso para a cidade. Eles reivindicam contra a suspensão de 67 veículos do transporte escolar.

 

Os estudantes da região já estão sofrendo as consequências. Exemplo disso é Erica de Sousa Silva, 12 anos. Ela conta que a falta de ônibus tem a obrigado a faltar as aulas. “Já perdi muito conteúdo e tenho medo de acabar perdendo o ano letivo”, lamenta.

 

A mãe da menina, a cozinheira Maria de Fátima de Sousa, 34 anos, diz que a filha não tem como ir à escola de outra forma. Ela ressalta que outro ponto que a preocupa é o estado precário dos ônibus. “Quando eles estão circulando, a segurança é péssima. Meu coração fica apertado ao ver minha filha entrando em um ônibus nessas condições”, diz.

 
 
Falta de água
 
Outro problema apontado pelos manifestantes da Fercal durante o protesto realizada na manhã de ontem foi a falta de água na região. “Tem algumas comunidades que estão há quatro dias sem água. Eles prometem vir solucionar o problema e nada acontece. Além disso, não temos água potável na cidade”, afirma o estudante Diego Rodrigues, 23 anos. De acordo com o jovem, caso a situação não seja resolvida, outra manifestação já está marcada para a próxima sexta-feira.
 
 

Reivindicação pela limpeza da escola


No Itapoã, professores do Centro de Ensino Médio 1 foram até a Regional de Ensino da cidade reivindicar pelas condições de higiene da escola. Segundo os professores, a limpeza da instituição foi afetada porque o cargo de serviços gerais foi extinto. Agora, quem fará o serviço é uma empresa terceirizada, mas os funcionários ainda não começaram a trabalhar. 

 

De acordo com a supervisora pedagógica Juliana Rezende, professores e alunos têm sido prejudicados com a situação. “Estamos numa fase de transição. Com isso, estamos sendo obrigados a reduzir o tempo de aula dos alunos do turno vespertino”, ressalta.

 

Para a coordenadora Katia Câmara Barreto, os dois mil alunos matriculados têm sido obrigados a conviver em um ambiente sujo e desagradável. “O local está nojento. Como a tarde o cenário é mais caótico, estamos reduzindo as aulas. Com isso, os professores são obrigados a driblar as dificuldades para passar o conteúdo e os alunos também têm que correr para assimilar o conteúdo”, salienta.

 

A reportagem do Jornal de Brasília entrou em contato com o órgão, mas até o fechamento da edição não obteve posicionamento a respeito das manifestações.

 

Congestionamentos

 

As manifestações ocorreram ontem e provocaram congestionamentos nas vias, causando revolta nos motoristas. O trânsito ficou impedido na DF-480 e na DF-004. 

 

 

Ponto de vista

 

Para o especialista em políticas públicas Marcus de Oliveira, as manifestações populares, mesmo menos expressivas, ainda são instrumento importante para a mudança da forma de se fazer política no Brasil. “O que aconteceu foi que a indignação se tornou mais forte do que tudo. A sociedade cansou da corrupção e da falta de compromisso dos representantes eleitos. Com isso, essa nova fase é, sem dúvida, uma nova etapa do diálogo entre sociedade e governo”, exalta Marcus.

 

De acordo com o especialista, o governo ficou refém dos anseios populares. “Isso é muito positivo. A partir de agora todo governante terá que ter muita cautela para estabelecer um diálogo com a sociedade. Isso será vital nos próximos anos”, observa o especialista em políticas públicas, Marcus de Oliveira.

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