Até a última sexta-feira (1º), 5.058 casos de catapora foram registrados no Distrito Federal. O número é 40% maior do que o apurado no ano passado, quando foram notificados 3,5 mil casos. “Até o momento, não há motivos para preocupação”, ressalta o infectologista Ricardo Marins, chefe do Núcleo de Vigilância de Doenças Imunopreveníveis e Agudas da Secretaria de Saúde.
De acordo com o médico, essa elevação no número de casos já era esperada. “Há um aumento cíclico registrado a cada dois ou três anos”. A alta, segundo ele, começa em agosto e vai até o início de outubro. A partir daí, há uma estabilização e, em novembro, o registro de casos sofre redução, voltando ao patamar normal.
Tendo por base estudos internacionais, os técnicos do Núcleo de Doenças Imunopreveníveis, estimam que, somente quando o número de casos ultrapassar 35 mil, configuraria-se um surto. “Estamos bem longe desse patamar, mas continuamos a monitorar os casos e as internações devido à doença”, afirma Marins.
As maiores vítimas da catapora – conhecida também como varicela – são crianças com idade entre um e quatro anos. Trata-se de uma doença de evolução benigna, na grande maioria dos casos. Os sintomas são febre, dor muscular, coceira e bolhas. A doença, cujo tempo médio é de sete dias, é transmitida pelo contato com as lesões e também pelo ar. Por isso, é necessário isolar os portadores da doença. “A primeira medida é afastar aquele indivíduo doente, para que ele não volte à escola até que passe a doença, porque, quanto mais as pessoas circulam nos ambientes, mais a transmissão ocorre”, explica o médico.
A vacina e o soro que previnem a doença são distribuídos gratuitamente pela rede pública para alguns grupos de risco, após avaliação das equipes de saúde da Secretaria de Saúde. Ela pode ser oferecida para gestantes que nunca tiveram a doença ou entraram em contato com doentes, adultos e crianças com baixa imunidade (provocada por doenças graves, como câncer ou Aids) e bebês que tiveram contato com pessoas infectadas. A vacinação contra varicela pode ser feita nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (Crie), nos Hospitais Regionais da Asa Sul, Asa Norte, Taguatinga, Sobradinho, Planaltina e Gama.