Existem no Brasil entre três e quatro milhões de pessoas infectadas com o vírus da hepatite C. Só no Distrito Federal são 24 mil, mas apenas mil são registradas nos bancos de dados oficiais.
A revelação foi feita neste sábado (13), durante palestra organizada apelo Candangos do C, Grupo de Apoio aos Portadores de Hepatite C, uma doença silenciosa e que a maioria dos infectados descobrem por acaso. O evento aconteceu no Hospital Universitário de Brasília (HUB) e contou com a participação de médicos, especialistas e portadores de hepatite C.
A palestra serviu para chamar a atenção das autoridades para os graves problemas enfrentados por portadores da doença. Alguns deram depoimentos emocionantes de como ficaram sabendo ter hepatite C, como contraíram a doença e a luta que enfrentam para fazer o tratamento.
As principais formas de contrair a doença são transfusão de sangue, uso de droga injetável e relação sexual sem preservativo com infectado. “Ninguém aqui é coitadinho apesar do medo e da gravidade em ser um portador da hepatite C”, disse uma mulher que faz tratamento para se curar. Outra enfatizou que a doença é grave, que causa complicações, mas ela aprendeu a conviver com o vírus e valorizar a vida.
A médica infectologista Sônia Maria Geraldes, da Secretária de Saúde, que há anos trabalha na prevenção, combate e tratamento da doença, foi uma das palestrantes. Ela disse que um dos maiores problemas dos portadores do vírus é que a hepatite C é uma doença silenciosa e na maioria dos casos o paciente descobre o diagnóstico por acaso, fica deprimido e se recusa a fazer o tratamento.
De acordo com a médica Sonia Geraldes, o último domingo do mês, 28, comemorado o Dia de Luta Contra a Hepatite C, o Hospital Dia, na entrequadra 508/509 Sul, promoverá uma campanha contra a doença e convida a população para fazer exames e receber orientações sobre como prevenir a doença. O atendimento será das 9h às 17h.
O presidente do grupo Optimesmo de Ayuda al Portadfor de Hepatitis, uma Organização Não Governamental (ONG) com sede no Rio de Janeiro, Carlos Varaldo, lembra a importância de se debater a doença. Para ele, o Dia Mundial de Luta Contra a Hepatite C é muito importante para conscientizar as autoridades governamentais e os portadores do vírus. “É um bicho tão pequeno, mas que provoca transtorno e precisa ser tratado”, afirma.
Na opinião de Varaldo, é necessário um esforço conjunto na divulgação da doença e para mostrar à sociedade que 95% dos portadores não sabem que tem o vírus, mas é possível conviver com ele e ter uma vida normal. “Apesar da omissão dos órgãos de saúde, é importante que as pessoas façam prevalecer seus direitos e a saúde é um deles”, afirma.
Varaldo informa que sete mil ações foram ganhas na Justiça por infectados. O número mostra a omissão dos órgãos governamentais, mas o tratamento é possível e tem de ser procurado