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Brasília

Neste ano, Samu fez 20 partos: mães de primeira viagem são maioria

Arquivo Geral

04/07/2012 7h06

Kamila Farias
kamila.farias@jornaldebrasilia.com.br

 

Trazer uma vida ao mundo é um ato puro, de coragem e de amor. Mas nem sempre as coisas saem conforme o planejado.  O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já realizou mais de 20 partos fora de hospitais neste ano. O Samu calcula que mais de 8% dos atendimentos feitos são relacionados à obstetrícia e que 67% das grávidas acionam o serviço já em trabalho de parto. No mês de maio, foram 422 ligações relacionadas à gestação.

 

De acordo com a gerente de enfermagem do Samu, Fernanda Carneiro, é muito comum esse tipo de procedimento. “Nesse tipo de procedimento, a ambulância é deslocada imediatamente, mesmo se o médico ainda estiver conversando com a paciente pelo telefone. Uma das perguntas feitas pelo médico é se é o primeiro filho, pois caso contrário, a expulsão é mais rápida e o atendimento deve ser ainda mais agilizado”, explica.

 

Quando a mãe já está em trabalho de parto normal, o Samu pode entrar em ação e auxiliar a gestante nesse momento. No entanto, se a situação for de risco, o objetivo é chegar mais rápido ao hospital, dando todo o suporte, mas sem intervir na situação.

“A equipe só age quando o parto é normal, mas está preparada para todo tipo de situação, temos equipamentos e capacitação. Temos kit parto em todas as ambulâncias e ainda contamos com veículos especializados e equipados com sistema avançado”, conta a gerente. O kit é uma bolsa com todos os materiais necessários para se fazer um parto dentro da ambulância, caso não seja possível chegar ao hospital antes do nascimento. Contém luvas, bisturi, antisséptico, todos materiais descartáveis.

Uma das pacientes atendidas é Fabiana Teixeira, que teve o parto prematuro dos filhos gêmeos, feito dentro da ambulância, a caminho do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). A jovem vinha de Palmital (MG) e teve que ser socorrida pelo Samu no meio do caminho, pois a bolsa já havia estourado. Mãe e filhos passam bem e já retornaram para sua cidade natal.

Humanização

 

Casos como esse são delicados e pedem grande atenção da equipe do Samu. Segundo a gerente de enfermagem Fernanda Carneiro, ter um bebê fora do local desejado e com pessoas estranhas olhando é muito complicado para uma mãe. Por isso, além do atendimento técnico, é preciso oferecer o apoio psicológico.

De acordo com a gerente, a situação dessas mães torna-se bem delicada, por isso, prezam por um atendimento humanizado. “Não adianta apenas ser rápido e eficiente. Tem que respeitar as emoções daquela mulher, que está passando por uma situação fora do esperado. Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto. Tem que respeitar as fases e atuar com apoio. É muito importante isso para nós, todos os servidores são orientados dessa maneira”, comenta.

A gerente conta que as gestantes acionam bastante o serviço de urgência móvel, mas as mamães de primeira viagem são as principais. “É comum, pois elas têm mais ansiedade, não conhecem muito bem o corpo e não percebem que estão em trabalho de parto. As mães que fazem acompanhamento gestacional e sabem que a gravidez é de risco também têm tendência de chamar a gente”, afirma.

O Samu deve ser acionado na ocorrência de problemas cardio-respiratórios, intoxicação, queimaduras graves, maus tratos, tentativas de suicídio, crises hipertensivas e acidentes com vítimas, além da transferência inter-hospitalar de pacientes.

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