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Brasília

Nenê Constantino permanece internado até domingo

Arquivo Geral

16/12/2010 17h25

Nenê Constantino, fundador da empresa Gol Linhas Aéreas, passou mal na tarde desta quinta-feira (16) e foi encaminhado para o Hospital do Coração, na Asa Sul. Por volta das 15h, ele sentiu forte dores no peito e realizou uma bateria de exames. Nenê foi transferido para o hospital escoltados por agentes da Polícia Civil. Ele foi preso nesta quarta-feira (15), por suspeita de tentar matar o ex-genro, Eduardo Queiroz, em 2008

De acordo com o diretor técnico e cardiologista do Hospital do Coração, Edmur Carlos Araújo, Constantino deve permanecer internado pelo menos até domingo. Até lá, o empresário irá passar por diversos exames que irão constatar suas condições de saúde.

 

O médico conta que enquanto Nenê Constantino estava na Penitenciária da Papuda, por volta das 17h de ontem, sentiu fortes dores no peito e logo foi transferido para o hospital. “Assim que chegou aqui Constantino fez exames de sangue, eletrocardiograma e cintilografia (exame que permite obter imagens de processos fisiológicos que ocorrem em nosso organismo)”, esclareceu. Ainda conforme o médico, o empresário está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por uma suspeita de obstrução coronariana.

 

Constantino também é acusado de ser o mandante do assassinato de Márcio Nonato Souza Brito, líder de uma associação de moradores que teria invadido uma área de sua propriedade, em 2001. Os crimes pelos quais Nenê Constantino é acusado têm relação entre si. As desavenças com as vítimas começaram por disputa de um terreno onde fica a atual garagem da Viação Planeta, em Taguatinga Norte. Um ex-funcionário recebeu autorização do proprietário para morar no local e vendeu, fracionados, lotes no terreno para cerca de cem pessoas. Quando resolveu vender o terreno, alguns anos depois, o sócio fundador da Gol entrou com uma ação de despejo, mas os moradores se recusaram a sair do local.

 

Em 9 de fevereiro de 2001 ocorreu a primeira morte de que Nenê supostamente participara. O caminhoneiro Tarcísio Ferreira foi morto nas proximidades da garagem da antiga Viação Pioneira, atual Viação Planeta. Ele foi atacado por um pistoleiro e, segundo a polícia, Nenê Constantino seria o mandante do crime. O assassinato de Tarcísio seria como um aviso para que os ocupantes saíssem do terreno.

 

Oito meses depois, outra morte no terreno de Constantino. Márcio Nonato Sousa Brito, líder comunitário no local, foi assassinado na porta de casa com três tiros. Um dia antes, segundo testemunhas afirmaram à polícia, os moradores do local receberam um comunicado de indenização de R$ 2 mil para cada família, que seria entregue no dia seguinte para que eles desocupassem a área. Com a morte de Márcio poucas horas depois, cada família teria recebido R$ 500 e deixado a área.

 

A investigação do assassinato de Márcio ficou por dois anos na 17ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Norte, até ser transferida para a Coordenação de Crimes Contra a Vida (Corvida). Em 2008, ele foi indiciado  e teve a prisão decretada em abril de 2009, logo depois conseguiu um habeas corpus. Além do empresário, outras quatro pessoas são suspeitas de participação no crime. O genro de Nenê, Victor Bethórico Forest, Vanderlei Batista Silva, que teria corrompido testemunhas, João Alcides Miranda, suposto espião do assentamento, e João Marques dos Santos, que teria contratado o executor.

 

Tudo planejado

Durante as investigações da morte do líder comunitário, em 2008, o ex-genro do sócio da Gol, Eduardo Alves Queiroz, afirmou em depoimento à polícia que sabia do planejamento do assassinato de Márcio. Ele trabalhava com o ex-sogro no escritório da Planeta, empresa de transportes urbanos. Segundo relatou, ele saia do escritório no dia 5 de junho de 2008 quando um homem na garupa de uma moto disparou cinco vezes contra o carro. Quatro tiros acertaram o veículo do ex-genro do fundador da Gol, mas Queiroz saiu ileso do episódio. A investigação da tentativa de homicídio foi conduzida pela 8ª DP (SIA) e depois encaminhada à Corvida. Segundo testemunhas, dias antes do atentado, sogro e genro tiveram uma ríspida discussão sobre os negócios da família.

 

Eduardo não é o único ex-genro de Nenê Constantino que estaria jurado de morte. Em 2007 a polícia paulista evitou por duas vezes que outro ex-genro do empresário, Basílio Torres Neto, fosse assassinado. João Marques, ex-funcionário do empresário, confessou em um vídeo gravado no mesmo ano que teria sido contratado pelo ex-patrão para matar Basílio, que morava em Araçatuba (SP). No entanto, teria desistido do crime e tentado subornar a vítima. Marques descreve seu patrão como uma pessoa extremamente vingativa, desconfiada e violenta, que não aceita ser contrariada e está acostumada a resolver suas pendências  à bala.

 

 

 

Leia mais na edição desta sexta-feira (17) do Jornal de Brasília

 

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