Uma festa de música eletrônica marcada, algumas vezes, pelo abuso de drogas e com o nível de segurança questionado. As raves, que começaram a se proliferar pelo Brasil ainda na década de 1990, podem durar dias seguidos e, geralmente, são promovidas em lugares distantes, que dificultam a fiscalização e os atendimentos emergenciais. Elas atraem, principalmente, os jovens, inclusive muitos menores de idade.
O resultado dessa mistura preocupa especialistas. Para o diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Jorge Luiz Xavier, o uso de substâncias ilícitas nas raves é regra. “É quase uma desculpa para a disseminação de drogas sintéticas. Se dependesse somente da Polícia Civil, esse tipo de festa não existiria”, afirmou.

Difícil fiscalização
De acordo com Xavier, o combate ao crítico universo que envolve esse tipo de evento não é uma tarefa fácil. “Para fazer uma festa desse tipo, a administração costuma ouvir algumas entidades, como a Polícia Civil e a Polícia Militar. Entretanto, em muitas oportunidades, esses eventos são feitos em áreas rurais, são organizados nas redes sociais e não são publicitárias”, apontou o delegado. De acordo com ele, a polícia já apreendeu carregamentos de drogas sintéticas na véspera desse tipo de festa.
Ilícitas
Os riscos do uso indiscriminado de drogas não podem ser negligenciados. “As pessoas precisam se conscientizar que as drogas sintéticas, como o ecstasy e o LSD, não são brincadeira. É menos viciante do que a cocaína e a maconha, mas já mataram muita gente. Além disso, essas substâncias alteram a sensibilidade”, adverte o diretor-geral da Polícia Civil do DF.
Muitos frequentadores das raves admitem a presença massiva das drogas sintéticas. É o caso de D.G.R, 28 anos. “A primeira vez que fui a uma rave foi há uns seis anos. Já usava maconha e lá usei pela primeira vez LSD. Não me considero viciado, mas sempre que vou a uma rave, acabo usando”, declara.
O jovem ressalta que mesmo diante da presença massiva de drogas nesse tipo de evento, o consumo não é uma obrigação. “Já vi gente usando muita droga e ficando muito doida. Mas também já vi quem curte a festa sem precisar se drogar. No final das contas, o limite quem estabelece é a própria pessoa”, conta D.G.R.
Erro de umas prejudicam as outras
Alguns frequentadores desse tipo de festa defendem que o uso de droga não é o principal atrativo nos eventos. A música é o que mais atrai. “Já fui em várias dessas festas. O uso de droga existe como em qualquer outro evento, mas nem sempre é o objetivo principal. Existe o público que vai pela música, que sabe diferenciar os estilos e os DJs, a qualidade do som e vai para se reunir com os amigos porque sabe que é um local que não vão surgir problemas”, disse uma jovem que prefere não se identificar.
Segurança
Ela assegura que existem festas que respeitam todas as normas de segurança. “Existe uma infraestrutura de emergência para caso ocorra alguma eventualidade. Mas há eventos que contam com jovens que vão em busca apenas da droga e acabam prejudicando a imagem das festas eletrônicas”, assegura.
Segundo a frequentadora, o perfil do público mudou ao longo dos anos. “Agora, as festas, em sua maioria, são feitas para o grupo que realmente aprecia a música eletrônica”, conta.
Segundo o diretor-geral da Polícia Civil do DF, Jorge Luiz Xavier, hoje a punição do usuário praticamente não existe. “Eles são levados para a delegacia, existe o termo de comparecimento e o esforço para prender o usuário é muito grande, principalmente numa festa tão grande. Além disso, a droga é muito fácil de esconder e de ocultar”, pontua Xavier.
De acordo com o produtor de festas eletrônicas Breno Mascarenhas, poucas festas em Brasília seguem todas as normas. “Se você for procurar em Brasília, você pode contar nos dedos produções que respeitam as regras. A maioria que tem na cidade não tem alvará e nem segurança”, relata o produtor. Breno diz que não abre mão de obedecer todas as exigências. “É preciso pedir autorização para a administração regional, para o Corpo de Bombeiros, Policia Civil e Defesa Civil. Em função das dificuldades e do tempo que tudo isso demanda, só faço duas festas rave por ano”, relata.