Ana Karolline Rodrigues
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“Agora, o momento é para reunir a família”, afirmou Ricardo Araújo, 38 anos, ao falar sobre sua chegada em Brasília junto à sua mãe, Sueli Silva, 56 anos, de quem estava separado desde que nasceu. Nessa terça-feira (7), ambos desembarcaram na capital para reunir a família. Hospedado na casa da mãe, mais de 2 mil quilômetros de distância de onde foi criado, Ricardo se considera feliz apenas por estar ao lado dela. “Não importa onde eu esteja, se estou com ela estou bem”, disse.
No último dia 30, Sueli foi até João Pessoa (PB), onde Ricardo mora, para encontrá-lo. “Eu quis ir até lá, porque quis sentir que estava indo buscar meu filho”, contou. Já em Brasília, ambos agora não deixam de planejar momentos em família. “Está sendo fantástico. Vamos tirar um tempo para a gente, vamos para Caldas Novas com a família”, disse Sueli.

Questionados sobre o reencontro em pleno mês das Mães, ambos contaram que tudo foi um acontecimento natural. “Eu cheguei, conheci os primos, irmãos, pretendo visitar todos, com calma. Tudo aconteceu naturalmente”, disse Ricardo. “Um presente desse acho que foi a mão de Deus mesmo. Acho que Ele viu que eu mereço alguma coisinha, porque foi justamente no período que eu mais sofria, que era o Dia das Mães e o aniversário dele. Hoje eu estou aqui, com os três filhos”, comentou Sueli, emocionada.
Descobertas
Ao Jornal de Brasília, Ricardo contou que sempre soube que foi adotado por seus pais. No entanto, as informações que tinha sobre Sueli eram que a mesma seria uma moradora de rua e usuária de drogas. “Eu pensava: como vou encontrar uma moradora de rua numa capital dessa, sem nenhuma pista? Achava que não seria possível”, disse.
Segundo Ricardo, assim que recebeu a notícia de que sua mãe o encontrou, após 38 anos de buscas, ele não soube o que fazer. “Eu recebi a ligação do doutor Murilo e ele me contou. No primeiro momento, eu fui muito impactado, até porque eu tinha acabado de perder a minha mãe, então ele me deu um tempo. Depois me ligou de novo e conversou mais um pouquinho, porque eu não sabia de nada dela” relatou.
“Ele disse que ela passou 38 anos me procurando e eu parei para pensar depois. Ele me perguntou se eu tinha problema em fazer o exame de DNA e eu disse que de maneira alguma. Fiz o exame, sem ter nenhum contato com ela, e quando saiu o resultado, ele já me ligou e eu fiquei muito emocionado”, narrou.

Ao contar a novidade ao pai adotivo, que ainda está vivo, Ricardo disse que, inicialmente, este não lidou com facilidade. “Ele ficou muito emocionado, disse que eu iria deixá-lo. Mas eu conversei com ele, disse que ninguém tiraria o espaço dele e agora ele já fala que quer ela [Sueli] lá em casa. Ele tem um coração muito grande”, contou.
Superação
À reportagem, Sueli relatou que trabalha atualmente em uma clínica hospitalar, chamada Novo Nascer, que trabalha com pessoas com transtornos emocionais e busca auxiliá-los em processos de superação. Para ela, uma das coisas que lhe traz alegria em sua nova vida é a mensagem que pode deixar agora também àqueles com quem lida no local.
“Eu gosto muito de ler, leio bastante. Mas nunca li em nenhum lugar alguma história que se pareça com a minha”, afirmou. “Não foi fácil, eu passei por muita coisa. Mas, com muita força, superei tudo isso e agora estou aqui”, completou.
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