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Brasília

Não há onde buscar ajuda

Arquivo Geral

07/11/2013 7h26

Eric Zambon

Especial para o Jornal de Brasília

 

 

As unidades do Centro de Referência Especial de Assistência Social (Creas) do Distrito Federal precisam de mais 1,8 mil profissionais de Serviço Social. A constatação é da própria Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), que projeta promover um concurso público no ano que vem para suprir a atual demanda e tentar expandir a rede de atendimento.

 

Até lá, no entanto, pessoas necessitadas de atenção especial podem sofrer com a falta de assistência. É o caso de um senhor de 80 anos, morador do Lago Sul. Ele vive com uma cuidadora e, no início dessa semana, procurou uma unidade do Creas atrás de auxílio, alegando ter sofrido maus tratos da moça. Ao chegar ao balcão de atendimento, porém, não teria conseguido a ajuda que esperava. “Foi um constrangimento. O rapaz que falou comigo disse simplesmente que não tinha ninguém para ajudar e sugeriu que eu fosse embora”, revelou o idoso, que  não quis se identificar.

 

Taguatinga


Situações como a do aposentado são geralmente repassadas à unidade de Taguatinga, que é o núcleo  de atendimento a pessoas da melhor idade. O local opera, atualmente, com 17 funcionários, mas apenas sete deles são responsáveis por lidar diretamente com as vítimas. Estão disponíveis três psicólogas e três agentes, mas apenas um assistente social para responder, em média, 173 chamados emergenciais por mês, segundo dados da pasta.

 

Hoje, há nove Creas no DF, localizado em Samambaia, Taguatinga, Ceilândia, Estrutural, Brazlândia, Gama, Planaltina, Sobradinho e Plano Piloto, que atendem todas as cidades do Distrito Federal.

 

 Melhor idade em perigo


De acordo com o Mapa da violência contra o idoso, publicado pelo Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) em junho deste ano, em 2012 foram mais de duas mil denúncias de violência física ou psicológica contra maiores de 60 anos no DF, com foco em Ceilândia, Brasília e Taguatinga. Essa realidade somada ao déficit de pessoal nos locais que poderiam servir como apoio preocupa  Ricardo Quirino, da pasta dos Idosos.

 

“Uma pequena parcela dessa população tem qualidade de vida muito boa, nas regiões mais ricas. Mas grande massa está em situação muito vulnerável, tanto em relação à escolaridade quanto à assistência”, constatou o secretário. Ele citou a cidade Estrutural, como a cidade cujos idosos vivem situação mais crítica e Lago Norte como o exemplo diametralmente oposto.

 

“As pessoas estão fazendo mais denúncias e a secretaria tem desenvolvido campanhas de contato direto com a  população, para conscientização contra a violência contra os mais velhos”, ressaltou Quirino sobre as alternativas discutidas para diminuir o problema.

 

Número é insuficiente


Segundo Olga Jacobina, da coordenação social especial da Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), seria necessário, para um Creas com o porte do de Taguatinga, pelo menos um dupla de psicólogos e agentes sociais para cada 80 casos, segundo as normativas embasadas na Norma Operacional Básica publicada em julho de 2005.  Ela, no entanto, enfatiza que “cada caso é um caso”. “O número de profissionais não é o suficiente, mas é preciso entender que existem diferentes realidades. No Creas de Brazlândia a quantidade de atendimento é bem menor em comparação a Samambaia, por exemplo. Então, para ver a necessidade das unidades, tem que analisar individualmente”, explica a coordenadora.


Situação difícil


“É um serviço mais do que fundamental”, diz o vice-presidente do Conselho Regional de Serviço Social do DF (Cress), Handerson Nunes, sobre a assistência prestada pelo centro de referência não apenas a idosos, mas à população de maneira geral. “Na política de assistência social, o Creas é importantíssimo para o fortalecimento de vínculos sociais, seja de crianças, homens, mulheres ou senhores”, completa. Ele expôs que os atendimentos nos Creas são agendados e, quando há emergência, muitas vezes elas não podem ser atendidas pela falta de profissionais.

 

Handerson afirma que a falta de pessoal é um problema também de outros setores públicos que oferecem assistência social, especialmente porque o último concurso foi feito em 2010. “Muitos dos concursados chamados naquele ano foram enviados para outras áreas”, reclama. Ele ainda revela que a situação já havia chegado ao Cress. “Só esse ano já tivemos diversas denúncias sobre o Creas, por exemplo, a respeito de sobrecarga de serviço que afetaria usuários não atendidos e até assistentes sociais”, afirma.

 

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