Kamila Farias
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A frota de veículos atualmente no Distrito Federal é de 1.378.092. O resultado se percebe nas ruas. Engarrafamentos, falta de estacionamento, poluição e muito estresse. O problema é que tudo isso pode piorar com a decisão do Governo Federal de reduzir os impostos para a aquisição de carros novos, o que deve diminuir os preços em até 10%. Na última medida de incentivo ao consumo, entre 2009 e 2010, as vendas no DF aumentaram 48,30%. Agora, espera-se resultado um pouco menor, se os bancos não colaborarem afrouxando a liberação de crédito.
Preocupados, os especialistas temem que o trânsito se torne ainda mais caótico, caso não sejam tomadas medidas de compensação. O Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade do DF e Entorno (PDTU) elaborado para o governo aponta, que neste ritmo, o trânsito vai parar em 20 anos. Para o especialista em trânsito da Universidade de Brasília (UnB) Artur Morais, a frota aumentará com a redução dos impostos, mas o problema, na verdade, é o uso indevido do veículo. “Brasília não tem ciclovia, não tem transporte público decente e é aceito que a pessoa estacione em local errado. Esses fatores incentivam o uso do carro. Se fosse o contrário, ou seja, mais fiscalização e qualidade do transporte público, as pessoas não usariam o carro e não haveria engarrafamentos”, afirma.
Segundo ele, o problema não está na facilidade de comprar um carro e sim no incentivo às pessoas para utilizarem o veículo particular. “Comprar carro é desejo de todos. Movimenta a economia e aumenta os postos de emprego. Mas a outra parte o governo não faz e é isso que leva a ter mais carros nas ruas”, informa.
Dependência
A mesma opinião tem o professor de Engenharia de Tráfego da UnB Paulo César Marques. Ele afirma que o aumento da frota é um problema, mas não é o maior. “A dependência que as pessoas têm com o carro é que é o problema. A cidade de Curitiba (PR), por exemplo, tem um índice de carros 50% maior que o de Brasília, mas a gente não ouve falar dos problemas de trânsito, pois lá tem um transporte público de qualidade. O problema não é ter carro, e sim utilizá-lo para tudo”, observa.
Atualmente, no Distrito Federal, dependendo do percurso, a pessoa pode passar até duas horas no trânsito. Tentativas têm sido feitas de incentivar o uso de transporte público, com a introdução das faixas de uso exclusivo para ônibus em algumas vias. Os que utilizam coletivos aprovaram a medida, mas ela não refletiu em uma redução de veículos nas ruas.
Os motoristas, ao contrário, reclamam que o tempo no trânsito aumentou, pois perderam uma via para os ônibus. Por outro lado, o Plano de Mobilidade Brasília Integrada, que pretende alterar todo o transporte público, ainda não tem data para ser implementado.