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Brasília

Música feita com o corpo e a alma

Arquivo Geral

08/10/2013 9h01

Quando o Instituto Batucar foi criado, não havia instrumentos para todos os alunos. Mas isso não impediu que os organizadores do projeto ensinassem música a crianças e adolescentes do Recanto das Emas. Para isso, foi utilizada a técnica de percussão corporal, onde se tira som do próprio corpo. 

 

Hoje, mesmo já tendo instrumentos disponíveis, a ideia de usar o corpo para fazer música continua devido aos benefícios didáticos da técnica. A percussão corporal virou eixo principal das ações pedagógicas.

 

Crescimento

 

Desde 2001 no Recanto das Emas, o Instituto Batucar começou a partir do projeto Batucadeiro, em uma igreja evangélica, com os idealizadores, Ricardo Amorim e a esposa, Patrícia Amorim. “Tudo começou quando fui contratado por uma igreja para dar aula de música. No começo eram somente 12 alunos, mas depois os colegas deles também começaram a vir e se tornaram 20. Assim, não tinha instrumento para todos e resolvi fazer a percussão corporal, para não excluir nenhum deles da aula”, conta Ricardo. 

 

No dia 28 deste mês, o Instituto Batucar completa 12 anos de existência. Ao longo desse tempo, o projeto conseguiu alcançar um nível de reconhecimento e credibilidade junto ao governo e de várias empresas. 

 

Expansão 

 

O trabalho, que era particular, foi  se tornando público aos poucos. “Na igreja já não dava mais para continuar devido ao espaço, então tivemos que alugar uma casa, onde damos nossas aulas atualmente”, explica o idealizador.

 

“A família ama o projeto. Quando começamos com esta ideia, eu estava grávida da minha filha”, conta Patrícia. O casal tem  formação em música e em educação. “Tudo começou porque a gente percebia que os alunos tinham dificuldade em sala de aula. Com isso, começamos a incentivar a leitura de poemas e, assim, entrou a música porque o objetivo era ensinar de forma lúdica”, lembra Patrícia. 

 

 A vontade de expandir o projeto era tamanha que eles se tornaram parceiros do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 113, no Recanto das Emas. Os convites para apresentações surgiam com frequência até que o professor decidiu formalizar o projeto para a Secretaria de Educação do DF. “Queríamos contribuir com a percussão nas escolas, voltada para erradicar a evasão escolar”, observa o idealizador do projeto. 

 
Reconhecimento
 
 
Junto dos filhos, Ricardinho e Manuela, o casal Patrícia e Ricardo comemora o recebimento do Prêmio Itaú Unicef. “Isso foi um reconhecimento muito bom para a ONG por ser um projeto de inclusão social, totalmente sem custos, e que está inserida na educação integral. Nós também atuamos com a gestão colaborativa onde todos os alunos de música participam das decisões do Instituto”, explica Ricardo.
 
 
Aulas fazem parte da grade curricular
 
Atualmente, os primeiros alunos do projeto dão aulas para os novatos, com auxílio de bolsa. No CEF 113, a música faz parte da grade curricular como atividade complementar. Hoje, 270 crianças e adolescentes estão inseridas no projeto: 170 são do 1º ao 5º ano do ensino integral e os demais são alunos da comunidade. 
 
Os estudantes Mateus de Melo, 7 anos; Larissa Bitencourt, 8 anos; e Ágatha Barbosa, 7 anos, participam do curso há quase um ano. “Amo samba e pagode por conta da animação”, conta Larissa. Mateus e Ágatha alegram-se porque já dão conta de tocar, no violão, a cantiga de roda Caranguejo não é Peixe.
 
No dia 30 deste mês os alunos se apresentarão no Encontro de Educação Integral do Distrito Federal. 
 
Prazer no que faz 
 
O professor Ricardo Amorim conta que a percussão corporal é uma poderosa ferramenta para trabalhar a coordenação motora das crianças. As aulas ocorrem toda segunda-feira, com oficina de violão e outra de percussão corporal, com duração de 50 minutos cada.
 
A coordenadora local de educação integral do CEF 113 Luciana Neiva considera que a ampliação da carga horária escolar deve ser feita de maneira que o estudante tenha prazer na realização das atividades complementares.
 
 

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