Com somente 50 anos de idade, tudo ainda é muito recente em Brasília. Mas tudo também é memória para quem veio para cá aceitando o convite do presidente Juscelino Kubitschek de erguer, no meio do cerrado, a capital do Brasil. Agora, essas pessoas anônimas, feitas de coragem e muito sonho, emprestam seus relatos a uma exposição diferente. Cartas de Brasília, que poderá ser vista de terça-feira a domingo, até 19 de dezembro, no Museu Vivo da Memória Candanga, apresenta cartas, fotografias e objetos dos pioneiros da cidade. A mostra teve início no último dia 10.
Promovida pelo Governo do Distrito Federal, com patrocínio dos Correios, a exposição fala das aventuras e desventuras de quem ajudou a construir a cidade. Sob curadoria das jornalistas e pesquisadoras Márcia Turcato e Tânia Ribeiro, foram selecionados aproximadamente 150 documentos originais, entre cartas, fotografias, ofícios e objetos cedidos pelos próprios pioneiros.
O material faz parte de uma ampla pesquisa que as curadoras vêm desenvolvendo sobre os primeiros anos de vida da capital brasileira. Márcia e Tânia fizeram um levantamento dos pioneiros que ainda moram no Distrito Federal. Para isso, elas contaram com o auxílio da jornalista Prudenciana Ferreira, mais conhecida como Shanna, e da jornalista e produtora cultural Graça Ramos. Os pioneiros foram entrevistados em vídeos que serão exibidos na exposição. Há ainda gravações sonoras feitas com ajuda da rádio CBN.
A exposição
Cartas de Brasília conta um pouco da história da capital brasileira sob uma ótica diferente. Em foco estão relatos que falam da poeira, da ventania, do canto das cigarras, de redemoinhos. Histórias de candangos, homens e mulheres empolgados com o desafio de fazer Brasília. São cartas escritas por mãos saudosas, cheias de esperança, ávidas de notícias e de mais histórias.
Durante a exposição, é possível ver a carta de uma jovem que pedia emprego para o marido ao presidente Juscelino Kubitschek. Atualmente, segundo relatos, essa jovem é uma renomada cardiologista e o marido um grande arquiteto. Há ainda a carta de um paisagista que narra o processo de preenchimento do Lago Paranoá com um fio de água até chegar à forma atual.
Também está exposta no local a pequena caderneta de anotação de uma mãe preocupada em listar todos os cuidados dedicados ao filho recém-nascido, um caderno escrito como uma declaração de amor. Como dizem as curadoras da mostra, uma espécie de “arca de amor, um baú de sonhos guardados em um caderno”.
Serviço
Cartas de Brasília
Local: Museu Vivo da Memória Candanga – Via EPIA Sul SPMS Lote D – Núcleo Bandeirante – Brasília/DF
Visitação: até 19 de dezembro de 2010
Horário: Terça-feira a Domingo, das 9h às 17h
Entrada franca
Mais informações: (61) 3301.3590
Agendamento educativo: (61) 3272.4484
Classificação Indicativa: Livre
