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Brasília

Mural com retratos de personalidades inspira carreira de Rollemberg

Arquivo Geral

15/05/2017 7h30

Myke Sena/Jornal de Brasília

Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

Retratados em preto e branco, 14 olhares acompanham o cotidiano do gabinete do governador Rodrigo Rollemberg . A parede de fotos chama a atenção de secretários, assessores, servidores e visitantes. Ninguém tem tempo para conversar sobre a composição diante dos problemas do dia-a-dia e com os índices de aprovação preocupantes. Mas, atrás da aparente trivialidade, os retratos são referências na postura pública do chefe do Executivo.

Política, família, cultura e fé compõem a coleção. “Jamil Haddad foi fundador do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Me convidou para ser seu chefe de gabinete (quando foi senador). E na gestão do Jamil Haddad eu criei, junto com o deputado Beto Albuquerque, a Juventude Socialista Brasileira. Se hoje sou governador, devo muito ao Jamil Haddad”, conta Rollemberg referindo-se a um dos personagens. Já o ex-presidente Juscelino Kubitschek, fundador de Brasília, dispensa apresentações.

Apaixonado por política, Armando Leite Rollemberg, pai do governador, também acompanha os passos do filho. Falecido em 1994, o politico sergipano foi deputado federal e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Minha mãe (Teresa Sobral Rollemberg) também é outra referência. Mãe de 15 filhos, tem 46 netos, 26 bisnetos. Uma figura que mantém alegria. É uma pessoa moderna aos 86 anos”, afirma. Rollemberg conviveu com o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes nos últimos anos de vida do político que foi símbolo da luta contra o regime militar de 64.

“Eduardo Campos (neto de Arraes). Tive a honra de ser secretário de Inovação Tecnológica, quando Eduardo Campos foi ministro da Ciência e Tecnologia. Acho que (a morte dele em plena campanha para Presidência da Republica em 2014) foi uma perda irreparável para o país. Ele está fazendo uma grande falta para o Brasil”, desabafa. Um dos motivos para Rollemberg concorrer ao Buriti naquele ano foi para assegurar um palanque para Campos em Brasília.

Myke Sena/Jornal de Brasília

Myke Sena/Jornal de Brasília

Saiba mais

  • Quem é quem? Da esquerda para direita, do topo para a base: Jamil Haddad, Juscelino Kubitschek, Armando Leite Rollemberg, Teresa Sobral Rollemberg, Miguel Arraes, Eduardo Campos, José Quintiliano da Fonseca Sobral, Papa Francisco, Cora Coralina, João de Deus, Augusto Leite, Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Júlio Leite.
  • Fotos como oposição. Quando rompeu com o ex-governador Agnelo Queiroz (PT), o então senador Rodrigo passou a percorrer as cidades do DF registrando os problemas de cada uma em fotos. Imagens iam para as redes sociais.
  • O cientista político Everaldo Moraes conta que políticos buscam associar-se com grandes personalidades da vida pública: “tentam trazer o capital político dessas figuras. Em certas situações é quase uma mensagem subliminar”.

O avô materno, José Quintiliano da Fonseca Sobral, marca a memoria do governador pelo imenso bom humor e correção nas atitudes. Rollemberg também busca inspiração na visão e a sensibilidade social do Papa Francisco. A escritora Cora Coralina é uma mulher a frente do seu tempo. Dentre a obra da poetisa, ele nutre especial apreço aos versos do Poema do Milho e da Oração do Milho.

Apontando para o retrato do médium João de Deus, Rollemberg descreve o começo de uma amizade e de um caminho espiritual. “Eu frequento a Casa de Dom Inácio com alguma regularidade. Sou muito impressionado com o trabalho espiritual desenvolvido pelo médium João de Deus”. Eleito senador com apoio de todas as forças políticas de Sergipe, o tio do governador, Augusto Leite é 11º personagem. Médico, cirurgião, ele operou Rollemberg na infância para o tratamento de uma hérnia. Leite criou a primeira Casa Maternal do estado para mães solteiras.

Responsável pelos traços do Plano Piloto, Lúcio Costa, almoçava e proseava frequentemente na casa dos Rollemberg. A filha do urbanista, Maria Elisa, era casada com um irmão de Teresa Rollemberg. O arquiteto Oscar Niemeyer, cuja concepção moldou a personalidade arquitetônica de Brasília, ecoa pelo gabinete do governador em função de suas posições políticas.

“O Júlio Leite é um outro tio que foi também senador pelo estado de Sergipe. Foi a pessoa que introduziu meu pai na política e era muito querida de todos nós”, aponta Rollemberg. Em resumo, o mural retrata um Rollemberg com fortes raízes familiares. A imagem também capta um político que demonstra reconhecimento dos personagens relevantes para a construção de sua carreira.

Adição mais recente foi Francisco

Rollemberg vem construindo a coleção de retratos ao longo de toda carreira política, retrato a retrato. Segundo a esposa do governador, Márcia Rollemberg, a última adição foi a foto do Papa Francisco. E neste momento adverso, para ela, a imagem do pontífice é mais importante para a condução do Palácio do Buriti, justamente pelos princípios de missão, humildade e resiliência.

“A mensagem do Papa agrega resiliência, humildade e comprometimento com missões na vida dele (Rollemberg) para que não se abata diante das dificuldades. Os resultados não são para pessoas. Os resultados devem ser para o coletivo. Apesar de qualquer custo político, a principal missão é não permitir que a cidade quebre e fazer o que for preciso para que ela volte a crescer”, pondera Marcia.

O chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, frequenta diariamente o gabinete do governador. Volta e meia ele se pega olhando para a parede de retratos. “É uma curiosidade realmente. Eu reconheço algumas figuras. Mas não há tempo para amenidades. Toda vez que vou no gabinete temos muitos assuntos importantes e urgentes para decidir. E quase sempre sobra alguma coisa para o dia seguinte. Mas seria um papo interessante para um dia tranquilo”, diz Sampaio.

De acordo com o secretário de Cidades e um dos aliados mais antigos de Rollemberg, Marcos Dantas, os 14 personagens retratados representam muito para o governador. Para o aliado de primeira hora, cada personalidade, com sua respectiva mensagem, ajudou a moldar a forma de vida do chefe do Executivo.

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