Gabriella Bontempo, com agências
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Prédios vazados, erguidos sobre pilotis e com uma vasta área verde ao redor integram o projeto do urbanista Lucio Costa para as superquadras do Plano Piloto. Mas, com o passar dos anos, os blocos finos com apartamento vazados foram susbstituídos por outros de padrões diferentes. Fachadas de vidro, calçadas e vegetação ornamental criaram um problema: o ar não circula como deveria e a temperatura se eleva. Em relação às quadras antigas, a variação é de 2º C a 5º C a mais.
Foi essa a constatação de um estudo da Universidade de Brasília (UnB). Segundo a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), Marta Adriana Bustos Romero, a proximidade dos edifícios faz com que a temperatura se eleve. “Os princípios originais compreendiam uma faixa de 20 metros de vegetação em volta da quadra, com árvores de copas densas e gramado, que garantiam sombra e umidade do local. Ao se acrescentar elementos superficiais que impermeabilizam o solo, como concreto e asfalto, o espaço fica mais reduzido e forma-se uma bolha de calor que fica presa.”
Entre 2005 e 2006, Marta orientou estudos de sustentabilidade em 42 superquadras – 22 na Asa Norte e 20 na Asa Sul. Foram feitas medições das variáveis climáticas de duas quadras – SQN 308 e SQN 309. Foram aferidas temperatura do ar, umidade relativa, velocidade e direção dos ventos e temperatura dos raios solares nos períodos de chuva e seca. As medições, realizadas simultaneamente às 9h, às 15h e às 21h, mostraram que a SQN 309 registra entre dois e cinco graus acima da 308.

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