Prevista para ontem, a ação de desocupação da Fazenda Toca da Raposa, em Planaltina, foi adiada por questões operacionais, informou a Polícia Militar do Distrito Federal. A tensão, no entanto, é grande, já que, segundo lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), um ônibus com homens supostamente a serviço do dono da propriedade vizinha e tratores chegaram ao local assim que os policiais deixaram a fazenda.
Segundo o tenente-coronel Alves Leitão, responsável pelo policiamento de Planaltina, a nova data para o cumprimento da decisão judicial ainda vai ser definida. A Justiça havia determinado que as cerca de 600 famílias de sem-terra, que ocupam o lugar desde o dia 8 março, deixassem o local, mas autorizou o adiamento da operação na manhã de ontem. De acordo com o coronel, todos os policiais saíram da área. Na avaliação da polícia, era desnecessário manter qualquer tipo de segurança.
“As famílias já estão na área há um bom tempo sem que qualquer problema tenha sido registrado. Elas são ordeiras e não estão depredando nada, de maneira que consideramos desnecessário manter viaturas no local”, disse Alves Leitão.
De acordo com Maria Lucimar Nascimento da Silva, da direção nacional do MST no Distrito Federal, a decisão das famílias é resistir à desocupação. “Estávamos e continuaremos mobilizados. Vamos resistir à ação policial quando eles vierem, à pistolagem e a quem mais vier para nos tirar daqui”, garantiu Maria Lucimar.
De acordo com o MST-DF, a área em que as famílias estão acampadas pertence à Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) e foi ocupada irregularmente por um produtor de soja, que é dono de propriedades vizinhas. O movimento pede que 40% da área total, o equivalente a 1,7 mil hectares, sejam destinados à reforma agrária.
Logo após a ocupação, em março, os sem-terra se reuniram com representantes da Ouvidoria Agrária Nacional e do GDF. Ainda de acordo com o MST-DF, ficou acordado que, em 45 dias, a Terracap entraria com uma ação na Justiça reivindicando a devolução da área indevidamente ocupada pelo fazendeiro. Segundo o MST-DF, isso não ocorreu.
A Terracap confirmou ser a legítima dona de parte da área ocupada. Por meio da assessoria, explicou que ingressou na Justiça com uma ação de nulidade de título contra o fazendeiro que ocupou a área pública. Além disso, em cumprimento ao acordo firmado com a Ouvidoria Agrária e com as famílias de sem terra, a empresa pública imobiliária aproveitou a ação de reintegração de posse que o próprio produtor de soja movia contra o MST e pediu à Justiça que determinasse que, além das quase 600 famílias, o próprio fazendeiro fosse retirado da área pública. A reportagem não conseguiu contato com o fazendeiro ou seus representantes. Não foi definido o destino que será dado às terras.