O frentista Everton Mizael de Oliveira dos Santos, 28 anos, morreu na noite de ontem (29) dentro de um ônibus da Taguatur após ser contido por três passageiros. O coletivo saiu de Águas Lindas (GO) com destino à Rodoviária do Plano Piloto. Segundo informações de testemunhas, a vítima teria tentado agredir o motorista porque ele se negou a parar o ônibus fora do ponto, para deixá-lo. No momento da agressão, o ônibus teria saído do controle.Durante coletiva realizada hoje (30), o delegado-chefe da 3ª DP, Rodrigo Larizzatti, afirmou que se o laudo da perícia confirmar a morte por asfixia, as três pessoas que tentaram conter a vítima irão responder por homicídio culposo pelo excesso da contenção.
Como o laudo ainda não saiu os três passageiros, que eram trabalhadores e não tiveram suas identidades divulgadas, serão autuados por legítima defesa sem dolo.
“Pelo laudo preliminar, os rapazes que estavam tentando contê-lo e não tinham a intenção de matá-lo”, conta o delegado-chefe da 3ª DP, Rodrigo Larizzatti, que pediu ao Instituto Médico Legal (IML) um exame toxicológico para apurar se a vítima estava sob efeito de drogas.
O delegado afirma que, segundo o depoimento de passageiros que estavam no veículo, Everton queria descer um pouco antes do viaduto Ayrton Senna, já que trabalhava no Setor de Indústrias Gráficas (SIA). Mas o motorista disse a ele que, por política da empresa, ele não poderia parar fora do ponto. O frentista teria se revoltado e pulado a roleta para tentar agredir o motorista.
Luta
“A vítima teria tentado tomar a direção do ônibus e até puxado o câmbio. Os outros passageiros teriam pedido para ele parar. Então, ele pulou de volta e acertou com um chute o peito de um dos rapazes, que logo depois o contiveram”, relata Larizzatti.
De acordo com o delegado, foram os próprios passageiros que pediram para que uma equipe do Detran chamasse a Polícia Militar. Quando os agentes entraram no ônibus, os rapazes teriam soltado a vítima, que caiu morta. Eles deixaram a cena do crime, mas logo que foram identificados se apresentaram.
Câmeras não funcionaram
O ônibus era equipado com câmera de segurança, mas ao ser levado à garagem da empresa, onde tem o programa que decodifica as imagens, o chip com o arquivo estava vazio.
Para o delegado, apesar da falta de imagens, o caso não deverá ter maiores problemas para ser solucionado. “As testemunhas foram unânimes em dizer que a única intenção deles era conter a vítima. O que pode ter ocorrido é que eles devem ter usado uma força desproporcional, mas em momento nenhum houve a intenção de matar”, conclui.
Apoio
O advogado da Taguatur, Paulo Costa, disse que a situação é atípica. “As providências administrativas serão tomadas para sabermos se houve alguma responsabilidade da empresa no caso. Ajudaremos no que for possível”.
Saiba Mais
O Corpo de Bombeiros foi acionado pelos agentes do Departamento de Trânsito do DF (Detran), mas o homem já estava morto quando os militares chegaram.
Segundo o delegado que apura o caso, a causa da morte, aparentemente, foi asfixia. Entretanto, o laudo médico oficial ficará pronto em um prazo de 30 dias.