Renata Rios
renata.rios@clicabrasilia.com.br
A taquígrafa do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) não é uma servidora pública comum. Além de registrar reuniões e audiências, Sidma Kurtz é também uma designer de moda com viés sustentável. As roupas que Sidma desenha se destacam pela inovação. A designer fala que gosta de colocar as cores e formas do cerrado em suas obras. “Busco inspiração em tudo, as vezes me vem uma ideia e a partir de uma peça posso fazer uma coleção”, ela conta.
A estilista é formada em Psicologia na Universidade de Brasília (UnB). Após o termino do curso, ela resolveu se aventurar no curso da mesma instituição em Artes Plásticas – o empurrão final para o começo de suas produções. Ela não chegou a concluir a segunda graduação, mas, durante esse período, ela participou de matérias que despertaram sua atenção para o artesanato.
Sidma se especializou em crochê, uma técnica pela qual é muito reconhecida atualmente. As peças que produz refletem muito seu lado pessoal. “Adoro vestidos. 90% do meu armário e das minhas coleções são vestidos”, diz a psicóloga.
Consciência susntetável
Além do gosto por esta peça, a artesã tem muita consciência ambiental. “Minha preocupação é o que fazer com todo esse lixo que nós produzimos. Não dá para ignorar este problema”, conta Sidma preocupada.
De fato, o lixo é um problema cada vez mais presente em todo mundo. São produzidas 2,5 toneladas de lixo por dia somente no Distrito Federal. Esse material é levado para o Aterro da Estrutural. Catadores de materiais recicláveis trabalham para selecionar o lixo. Estimativas apontam que 70% (1,75 tonelada) desse lixo poderia ser reciclado.
A estilista usa fios de seda que vem do Paraná, já tingidos com pigmentos naturais. Este material é produzido com preocupações ambientais, ou seja, procurando causar o menor impacto possível à natureza. Ela também faz seus próprios tingimentos e usa materiais inusitados para tingir seus fios. Cebola, mogno, espinafre, chá mate, todos esses são exemplos de matéria-prima que a estilista utiliza para obter as colorações desejadas.
Consciência social
Kurtz também participou de projetos sociais. Durante o ano de 2006, a estilista foi convidada pela Organização Não-governamental Paranoarte para, junto com os alunos, criar uma coleção de roupas. Na mesma época foi convidada também para participar da primeira edição do Brasília Fashion Week. “Não seria possível separar os dois convites. Então o material que produzi com a Paranoarte foi para o desfile do BFF”, lembra a estilista.
A Paranoarte é um projeto com cursos de especialização para adultos e é direcionado para a população das cidades do DF. Os cursos oferecidos são de diversas áreas: customização, pintura em tecido e em caixas, bijuteria, crochê de modelagem, tear de prego, tecelagem, fuxico, amarradinho e bordado. O projeto ainda tem parceria com o Senai-DF e oferece uma capacitação em corte e costura.
Durante sua passagem pelo Paranoarte, Sidma auxiliou cerca de 300 pessoas. A coleção envolveu diversas áreas do projeto. “Tinha acabado de voltar de uma viagem de dois meses à Índia e coloquei muito disso nas bijuterias”, disse a designer. Os colares eram feitos de biscuit, as sandálias de macramé e as roupas variavam, podia ser crochê, tricô ou tecelagem.
Banners na moda
Talvez a maior inovação que a estilista criou para o desfile foi a utilização de fios reciclados de banners na tecelagem. “Fizemos uma peça mesclando banner e barbante. O contraste ficou muito bonito e foi bem aceito”, conta Sidma.
O reaproveitamento de banners também é executado pelo instituto Amigas do Vôlei – . Cerca de 50 mães de crianças beneficiadas pelo projeto fazem Ecobags, proposta de sacolas reutilizáveis para substituir sacos plásticos, a partir de banners descartados. O matéria-prima é doada pela gráfica Pix Solutions para a cooperativa que produz aproximadamente 3 mil bolsas por mês.
A estilista já vendeu em diversas lojas de nome em Brasília. “No início, tinha uma loja própria, mas a demanda dos locais para onde eu produzia peças era tão grande que não sobrava material para vender no varejo”, ela conta.
Durante a gravidez e após o nascimento de seu filho, a design passou a fazer peças sob encomenda. Muitos vestidos de noiva, por exemplo. Atualmente Sidma está voltando à sua produção normal.
“Eu acho muito importante a sustentabilidade, quero poder ajudar do meu jeito”, explica a designer pensando no futuro. Uma peça da estilista leva em média 10 dias para ser produzida. O trabalho é 100% artesanal, o que deixa tudo com um toque único.
Outra ideia
Um grupo de artesãs de Brasília recebeu um curso que ensina a utilizar folhas de bananeiras como matéria-prima. O objetivo do projeto é aumentar a renda familiar de famílias rurais. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF) que oferece o curso em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-DF).
Foram quatro dias de aulas que acabaram nesta sexta-feira (15). Neste período as artesãs aprenderam a extrair a fibra da bananeira, processamento e fabricação de papéis, bolsas, colares, caixas, bijuterias, cestos, flores e bonecas, entre outros itens.
O curso teve 15 alunas e durou 40 horas/aula. As aulas foram gratuitas, estima-se que se fossem pagas sairiam na faixa de R$ 500,00.