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Brasília

Mobilização pelo Lago

Arquivo Geral

20/09/2013 7h20

Preservar os recursos hídricos é garantir o futuro das próximas gerações. O discurso é bastante reproduzido, porém, nem sempre praticado com a mesma frequência. Cartão-postal da capital, o Lago Paranoá está sendo vistoriado e limpo nesta semana. Ali, há flagrantes do desrespeito:   lixo e  captação  de água e lançamento de esgoto ilegais.

 

O trabalho, que faz parte da Semana Lago Limpo, tem uma colaboração importante. Setenta e três  detentos em regime semiaberto, vinculados à Fundação de Amparo ao  Trabalhador Preso (Funap), estão ajudando na limpeza e fiscalização, ao lado de equipes da Agência Reguladora de Águas   (Adasa), Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e Polícia Militar Ambiental. Hoje terminam os trabalhos.

 

“Essa parceria já vem sendo firmada nos últimos anos e se prova benéfica para ambas as partes. A cada três dias trabalhados, eles têm a redução de um dia da pena, e ainda recebem um salário simbólico”, diz o coordenador do projeto de limpeza da Adasa, Rildo Marques.  

 

Liberdade

 

A Funap também está satisfeita com a   parceria. A adesão neste ano foi maior. “Para eles, é muito bom  participar de um evento dessa finalidade. Eles fazem com   prazer, até porque a ação é em um campo aberto e ele usufruem da sensação de liberdade”, afirma Lucimara Rios, representante da Funap.

 

Os detentos já trabalham em parceria com o governo em outras atividades e tiraram esses dias para ajudar a conservar o meio ambiente. “Acho é bom, mas é muita coisa. Não sei se vamos conseguir fazer tudo em dois dias”, admite um jovem, que trabalha na Administração de Ceilândia e está prestes a terminar de cumprir a pena. 

 

A Semana Lago Limpo busca  conscientizar a população sobre as práticas sustentáveis,  sobretudo a importância de manter a cidade limpa. 

 

Ponto de Vista

 

Para o professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB  Sérgio Koide, apesar de louvável, a iniciativa de limpar o lago funciona mais como atividade educativa e melhora um pouco a aparência, mas não necessariamente a qualidade da água. “Toda a terra solta que sai das obras, principalmente do Noroeste, chega ao lago e acaba sendo mais perigoso até que outros resíduos”, diz. Sérgio também se preocupa com a  utilização irregular  da água e,  claro, do lixo. “A sujeira jogada na rua é levada pela chuva, entope o sistema de drenagem e depois alaga tudo. Além disso, o lago é utilizado para o lazer. Se estiver sujo, fica impossível”, conclui.

 

Auxílio de duas escolas de mergulho

 

Ontem, o grupo responsável pela limpeza conseguiu atingir apenas as áreas em volta da Ponte das Garças, próxima ao Gilberto Salomão, mas muito lixo já foi encontrado. As garrafas de plástico são os itens mais encontrados, mas também tem muita coisa inusitada, como partes de carro, fogão, computador, carrinho de bebê e roupas. No ano passado foram retiradas 8,3 toneladas de lixo. A expectativa para este ano é que o número seja maior.

 

Para retirar todo o lixo, além da limpeza mecânica das bordas, o fundo do lago será limpo no Pontão do Lago Sul, amanhã, por duas escolas de mergulho que levarão seus alunos. Mais tarde será feito o “flushing”, ou seja, a abertura das comportas para a limpeza da camada superficial do lago.

 

Efluentes

 

Até agora só foi encontrado um lançamento de efluente, mas a captação irregular de águas vem se mostrado mais constante. “Encontramos em algumas casas particulares, que usam para irrigar os jardins, e em clubes também. Nesse primeiro momento, só estamos fiscalizando, para depois notificá-los por terra e pedirmos a retirada. Caso não obedeçam passamos para uma forma mais rígida de advertência”, explica o fiscal da Adasa, Miguel Sartori.

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