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Brasília

Ministério Público está de olho no monopólio do transporte

Arquivo Geral

07/06/2013 8h50

Cercada de indícios de irregularidades, a licitação do transporte público do DF ignora até mesmo uma recomendação do Ministério Público do DF. Após uma série de reportagens  publicadas pelo Jornal de Brasília, que denunciou as supostas ilegalidades no processo, o  MPDFT recomendou que o GDF, por meio da Secretaria de Transportes, revogasse a decisão que habilitou a empresa Viação Piracicabana a participar do certame. Contudo, a recomendação não somente foi ignorada, como a empresa foi a ganhadora da licitação da bacia 1.

 

De acordo com a recomendação, o GDF tinha o prazo de sete dias para enviar relatório minucioso das providências tomadas, acompanhado das provas documentais – prazo que venceria amanhã. O descumprimento das exigências presentes na recomendação poderia ocasionar medidas judiciais que podem acarretar em responsabilidades no âmbito cível, criminal e administrativo. Contudo, o governo ainda não enviou   resposta alguma ao MP.

 

 

Com o resultado da licitação, grupos economicamente ligados, segundo a recomendação, foram os vencedores de dois lotes. Piracicabana, da bacia 1, e Pioneira, da bacia 2, são controladas pela família Constantino, como o JBr já mostrou, e o MP reiterou. Ou seja, o transporte público do DF continuará nas mãos dos mesmos empresários que controlam o sistema há anos.

 

 

Perspectivas

 

 

A tendência é piorar  e a população é a maior vítima. Essa é a opinião do garçom Alex   Pereira, 22 anos, que afirma não ter esperanças de melhorias no transporte público. “Desde que o governo fez essa intervenção no Grupo Amaral, nada melhorou. Só vem piorando. E com essas fraudes na licitação, não vai dar certo mesmo”, acredita.

 

Para sua mulher, a estudante Wanderleia Santos, 22 anos, tudo que começa errado dificilmente tem um fim diferente. “Se começou errado, não vai dar certo. Tudo vai continuar um caos”, afirmou. Para ela, os cidadãos estão totalmente desamparados. “Não temos a quem recorrer. A saúde não funciona, o transporte também não. Está difícil para quem precisa dos serviços públicos”, declarou.

 

A secretária Janice Faleiro, 22 anos, compartilha da mesma opinião: “Se já começa desse jeito, não tem como dar certo. Não tenho esperança de que as coisas mudem”, lamentou.

 

 Para as coisas melhorarem, segundo a secretária, é essencial que a gestão ganhe uma nova concepção. “Se continuarem com os mesmos dirigentes, nada vai mudar. Parece que só muda o nome e tudo continua na mesma”, reclamou.

 

Entenda o caso 

 

As supostas irregularidades começaram na elaboração da licitação. O edital  foi elaborado pelo Consórcio Logit/Logitrans, integrado por uma empresa que tem Garrone Reck como um dos diretores.

 

Garrone Reck é pai de Sacha Reck, advogado do escritório Guilherme Gonçalves & Sacha Reck Advogados Associados, que funcionou como consultoria jurídica para a Comissão   de Licitação da Secretaria de Transportes do DF.

 

 O escritório Guilherme Gonçalves & Sacha Reck Advogados Associados presta serviços jurídicos para a Transporte Coletivo Grande Bauru, do Grupo Constantino, e para a Viação Cidade Sorriso e a Auto Viação Marechal, do Grupo Gulin. A Viação Marechal ganhou a licitação para a bacia 4 do transporte público do DF. A Viação Pioneira, do Grupo Constantino, venceu a licitação da bacia 2 e a Viação Piracicabana, ganhou a bacia 1.

 

Batalha   que parece não ter fim
 
 
 
 
 
As supostas irregularidades na licitação repercutem entre especialistas e nas ruas. Segundo a estudante Rafaela da Conceição, 18 anos, o descumprimento da recomendação do Ministério Público é um indício de fraude. “Com certeza, tem alguém por trás disso. Sem dúvida, querem ganhar mais dinheiro e deixar a população a ver navios”, disparou.
Na opinião da jovem, os investimentos do GDF não estão voltados para os setores que mais carecem. “Investem milhões em capa de chuva para a PM, bilhões em estádios, e a gente não conta com os serviços básicos”, afirmou. Segundo a Rafaela, que depende do transporte público diariamente, a situação está longe de ser considerada razoável. “Os ônibus vivem lotados, quebram o tempo todo. É um sofrimento diário”, destacou.
 
 
De acordo com o especialista em Finanças Públicas da Universidade de Brasília (UnB)  José Carlos Oliveira, os mecanismos obscuros do processo licitatório podem significar a perpetuação de um transporte ineficiente. “Se uma firma de fora ganhou e conta com uma espécie de laranja, é sinal de que vamos continuar com um sistema deficiente”, ressaltou.
 
Segundo o professor, a ideia de uma nova gestão é bem-vida para o cenário do transporte público. “No DF, ao longo de muito tempo, poucas empresas dominaram o setor, e a qualidade   é ruim. Por isso, é bem-vinda uma concorrência nova”, declarou. Para ele, os questionamentos presentes no   processo licitatório indicam que há poucos sinais de mudanças. “Se já existem questionamentos desse tipo, o que parece é que vai apenas trocar de nome. Não é bom que isso aconteça. O ideal é que exista absoluta transparência”, diz.
 
 
 
Outra estratégia

 
Diante do descumprimento da recomendação, a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, do MPDFT, estuda uma estratégia a ser adotada em relação à   Piracicabana. A instituição informou que   se pronunciará assim que houver uma definição.
 
 
Segundo o MPDFT, o prazo da recomendação era de sete dias úteis e venceria na próxima segunda. Contudo, segundo o órgão, apesar de  prazo não ter sido   vencido, já houve um descumprimento, uma vez que o contrato foi assinado.
 
 
O Jornal de Brasília entrou em contato com a Secretaria de Transportes, mas  até o fechamento desta edição não obteve resposta.
 
 
 
Empresas irmãs
 
 
 
VIAÇÃO PIONEIRA
Sócias:
Auristela Constantino Alves  
Cristiane Constantino Foresti
EXPRESSO UNIÃO
Sócios: 
 Belatrix Participações (Auristela Constantino Alves e Cristiane Constantino Foresti)
 Comporte Participações (Henrique Constantino e Joaquim Constantino Neto)
 Renpet Participações (sócios: Auristela Constantino Alves e Cristiane Constantino Foresti)
Administradores:
Auristela Constantino Alves
 Cristiane Constantino Foresti
 Renpet Participações
 Eduardo Constantino Alves
 Belatrix Participações
 Maria Zélia Rodrigues de Souza Franca
 Paulo Sérgio Coelho
 José Efraim Neves da Silva
 Comporte Participações
 
 
VIAÇÃO PIRACICABANA
Sócios: 
 Comporte Participações (Henrique Constantino e Joaquim Constantino Neto) . Glarus Participações (Maria Zélia Rodrigues de Souza Franca e Paulo Sérgio Coelho)
Administradores:
Maria Zélia Rodrigues de Souza, Paulo Sérgio Coelho e José Efraim Neves da Silva
 

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