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Brasília

Mercado de Telecomunicações cresce e deve empregar 10 mil pessoas no DF, em 2011

Arquivo Geral

30/12/2010 15h03

Narlla Sales – narlla.sales@clicabrasilia.com.br
Thatyane Nardelli – thatyane.nardelli@clicabrasilia.com.br

 

Em 2010, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sinttel DF), foram gerados, aproximadamente, cinco mil novos postos de trabalho na área de teleatendimento. Para 2011, a expectativa, a partir de acordos com as empresas quanto ao piso salarial e às condições de trabalho, é de que 10 mil novos empregos sejam criados. O crescimento ainda é tímido se comparado com outros estados como o Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas, que abrigam,  em média, de 20 a 30 mil postos de trabalho, cada um deles.

 

Apesar da possível expansão do setor no próximo ano, muito ainda tem que se melhorar nas relações trabalhistas. As centrais de call center são, na maioria dos casos, as portas de entrada dos jovens no mercado de trabalho. Por esse motivo, vários profissionais alegam que são constantes os abusos cometidos pelos patrões.

 

Segundo o presidente do Instituto Observatório Social das Telecomunicações Inclusão Social e Digital (IOST), José Zunga Alves de Lima, Brasília é a segunda cidade no país em consumo de software.  “Por causa do consumo elevado de tecnologia e também por ser o centro do país, acho que a cidade tem condições de gerar ainda mais empregos na área de teleatendimento”, diz. E ainda acrescenta que Brasília não oferece um número expressivo de vagas. Segundo ele, por falta de consenso entre os sindicatos e as empresas.

 

Atualmente, a média salarial da categoria é de R$550, além de outros benefícios, como plano de saúde, transporte e vale-refeição. Ainda assim, muitos funcionários reclamam das condições em que os auxílios são oferecidos. “O plano de saúde, mesmo, que a empresa nos oferece, não corresponde às nossas necessidades”, diz Joana*, atendente.

 

Dificuldades

 

A busca pelo primeiro emprego leva muitos jovens a procurar cursos técnicos e profissionalizantes. Uma das opções são os cursos de telecomunicações, que são oferecidos na maioria das escolas técnicas do DF.

 

De acordo com os profissionais da área, somente com o ritmo do trabalho, no dia a dia, que as dificuldades da profissão começam a aparecer. Em 2006, Karla Rodrigues trabalhou por 12 meses em uma empresa de telemarketing. Segundo ela, por um descuido ergonômico, ela adquiriu LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e precisou ficar afastada do trabalho. Foi então que a luta começou.

 

Karla procurou o INSS para legitimar o afastamento por acidente de trabalho. A empresa onde ela trabalhava não admitiu a causa do afastamento por acidente de trabalho, mas por motivo doença adquirida sem relação com as condições de trabalho. “Quando voltei de férias precisei pegar uma série de atestados curtos. A situação ficou insustentável e eles sugeriram um acordo para que eu não entrasse na justiça. Acabei sendo demitida e não recebi o que eu tinha direito referente aos dias que fiquei afastada”, relata.

 

 

O vice-presidente do Sintell-DF, José Goudim, destaca, no entanto, que o fato de ser o primeiro emprego e a média de idade desses trabalhadores ser de 25 anos os deixa vulneráveis a casos de assédio moral e outros abusos. “A falta de experiência de alguns jovens compromete a relação de alguns patrões com eles. Eles se submetem a situações injustas sem muita consciência”, declara.

 

Goudim reconhece a importância do primeiro emprego dos jovens, mas não considera totalmente negativa a pouca oferta de vagas na área de teleatendimento. “O fato de Brasília ter uma organização consciente dos trabalhadores dificulta a consolidação de propostas que estão muito abaixo das necessidades dos funcionários”, pondera.

Norma regulatória

 

Em 2007, em função do número elevado de casos de abusos contra os operadores de teleatendimento, o governo se viu obrigado a criar uma norma que protegesse funcionários de tais empresas. Para os trabalhadores, era uma esperança, pois a NR-17 especifica quais são as condições mínimas de conforto físico e mental que uma empresa de teleatendimento deve oferecer para não prejudicar a saúde do trabalhador.

 

Antes da NR17, muitas pessoas sofreram constrangimentos pela ausência de um comportamento padronizado por parte das empresas e também dos funcionários. A partir da criação da norma, não se pode afirmar que as condições de trabalho dos operadores mudou muito. Segundo Joana (nome fictício), que trabalha em uma empresa que presta serviço para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda há muito que se fazer pela categoria. Ela diz que na empresa, os funcionários sofrem constantes constrangimentos e as condições do ambiente são precárias. “Os banheiros são poucos e a limpeza é precária. Não temos sequer sabonete para higienizar as mãos”, relata.

 

 A funcionária conta que o monitoramento das ligações é usado como forma de intimidar os trabalhadores e não para protegê-los, como é a proposta inicial da NR17. “Em outra empresa que trabalhei, também de telemarketing, fui acusada de ter derrubado uma ligação injustamente. Por causa disso, fiquei impedida de participar de qualquer processo seletivo na empresa. E aqui não é nada diferente”, afirma.

 

 
Confira aqui a NR-17 na íntegra

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