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Brasília

Melhor remuneração também está entre as principais reivindicações dos trabalhadores

Arquivo Geral

02/05/2012 7h00

Além de aumento salarial e redução da jornada, os trabalhadores brasileiros querem mais segurança, capacitação profissional, assistência à saúde, valorização e reconhecimento da atividade que exercem. As reivindicações dos trabalhadores diferem um pouco das centrais sindicais que lutam, entre outros pontos, pela redução da taxa de juros, o fim do fator previdenciário, a valorização das aposentadorias, a igualdade entre homens e mulheres, o trabalho decente, o fim do imposto sindical e a regulamentação da terceirização.

 

Para sobreviver, as pessoas se viram como podem. Algumas têm empregos formais ou são concursadas. Outras, porém, recorrem a atividades informais. Mas mesmo entre estes há quem se preocupe com o futuro, como o flanelinha que faz questão de pagar o INSS, pois não sabe do dia de amanhã, ou o vendedor de pipoca que paga faculdade para  a filha. Das nove pessoas ouvidas pela Agência Brasil, alguns reclamaram da excessiva jornada de trabalho e outros  reivindicaram salários mais altos. Grande parte dos entrevistados declarou que gosta da profissão que exerce e não quer mudar de área. Entretanto, pede mais valorização e reconhecimento por aquilo que faz.

 

 Já as centrais sindicais reivindicam a valorização do salário-mínimo, hoje em R$ 622. Segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o valor deveria ser cerca de R$ 2,4 mil para cobrir todas as necessidades básicas.

Wanderson Gomes da Silva, 33 anos, flanelinha
“Estou nessa profissão há 20 anos e gosto de trabalhar como vigia de carros. Eu faço meu horário e não gosto de trabalhar para outras pessoas. Já trabalhei com carteira assinada, mas prefiro trabalhar por conta própria. Não pretendo ficar rico com minha profissão, mas com ela é que como e bebo. Parei meus estudos na 3ª série e depois disso nunca mais entrei em uma sala de aula. Estudar é muito bom, mas não dá para estudar e trabalhar. Tive que escolher trabalhar, pois preciso encher minha barriga. Minha família é muito humilde. Pago INSS porque não sei o dia de amanhã. A maior dificuldade no meu trabalho é não ter salário fixo, é muito difícil não ter certeza de quanto vou receber no fim do mês. Não tenho grandes sonhos, tenho orgulho de dizer que sou vigia e lavador de carro: faço exercício, ocupo a mente e ainda ganho dinheiro.”

 

Paulo César Santana, 45 anos, motoboy

“Minha profissão é bem complicada. O trânsito é o pior ponto para quem pilota uma moto. Sem contar que não somos valorizados e o salário é ridículo. Sustentar uma família com R$ 800 ao mês não é fácil. Para melhorar, tudo tem que mudar: questão de respeito, o tempo trabalhado. São dez horas por dia e, infelizmente, não tenho outra opção. O trabalho é muito arriscado. Não temos qualquer tipo de seguro de vida ou plano de saúde. Isso dá insegurança. Como não estudei, tenho que ‘ralar’ em cima da moto mesmo. Me arrependo muito por não ter estudado. Talvez tudo fosse diferente, né? Tenho vontade de subir de cargo na empresa que trabalho, mas, para isso, tenho que me especializar em alguma área da mecânica.”

 

Rodrigo Funke, 33 anos, manobrista

 

“Sou manobrista há quatro meses. Trabalho nove horas por dia com uma hora de almoço. Se não fosse manobrista, gostaria de ser motorista ou vigilante. Gostaria que melhorasse o salário porque ele não é suficiente para sustentar a família. Nessa profissão, somos discriminados. Para completar minha renda, faço outros trabalhos, como pintura, reparos de casa e serviços de bombeiro hidráulico. Tenho Ensino Médio completo. Se pudesse, faria um curso superior de engenharia mecânica. Tenho vários cursos na área de escolta armada, de vigilância e carteira de motorista de caminhão. Nessas áreas é  preciso indicação. O problema do mercado de trabalho não é a concorrência. Se você não conhecer  quem  indique, não vai pra frente, fica estagnado. Não importa se você tem boa qualificação. É preciso ter contatos.”

 

 

 

José Romão Palmeira, 36 anos, padeiro

 

“Trabalho como padeiro há 16 anos. Gosto da profissão. Trabalho das 8h às 16h20. Acho que muita coisa devia ser melhorada: o salário, o transporte. Eu moro no Itapoã e o ônibus anda sempre cheio, demora. Antes de ser padeiro, eu era ajudante de pedreiro, em Tocantins. Juntando o meu salário e o da minha esposa, a gente passa ‘arrocho’. Ela é cozinheira, trabalha no Lago Norte. Estudei só até a 7ª série. Estava com planos de voltar a estudar este ano, mas minha esposa está estudando, então devo retomar esse sonho mais para frente. Com certeza, o estudo vai dar uma condição melhor, porque, sem isso eu vou continuar sendo padeiro o resto da vida.”

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