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Brasília

Meios alternativos buscam espalhar conhecimento

Arquivo Geral

07/11/2010 11h14

 

Anderson Souza

 

Apesar de alguns setores estarem se destacando no Brasil – como o econômico, por exemplo, já citado como o oitavo maior do mundo – áreas como a Educação e Cultura continuam tendo taxas altíssimas de desaprovação, segundo a população. O investimento no setor educacional – principalmente em escolas públicas – é apontado pelas pessoas como o principal passo para um bom e garantido avanço social. Atitudes de cidadãos comuns colaboram no sentido de levar cultura e conhecimento à população de Taguatinga. É o caso de Adriano Brandão, de 22 anos, e Everaldo José Silva dos Santos, de 33 anos, que, cada um utilizando seus meios de locomoção – uma Kombi –, decidiram montar um sebo no centro da cidade. Em um local pré-definido, eles organizam os livros nas estantes por volta das 6h e, normalmente, às 18h guardam tudo de novo na Kombi e voltam para casa, de segunda a sábado.

 

 

Após terminar os estudos no ano passado, Adriano resolveu abandonar sua terra natal – a Bahia – em busca da almejada oportunidade que a capital do país oferece. Embora tenha se deparado com o oposto, ele resolveu arriscar e dar continuidade a idéia do “sebo ambulante”, que conheceu logo ao chegar à cidade, próximo a Praça do Relógio. O homem que anteriormente cuidava dos negócios no local já estava querendo parar de mexer com livros. Foi então que Adriano decidiu levar adiante o sebo e usou a mesma área para estacionar sua Kombi e montar seu negócio. “O local fica estrategicamente localizado” diz enquanto aponta para os lados onde três escolas o cerca. Ele também cita a igreja que fica bem na frente, “como você pode ver, coloquei muitos livros religiosos na estante, pois são uns dos que mais vendo depois dos livros de concurso”. Adriano diz tirar em média R$ 2 mil a R$ 3 mil por mês, mas “não é somente pelo dinheiro, é pela sensação de estar expandindo a cultura também” garante.

 

 

Os baixos investimentos em escolas públicas refletem diretamente na falta de interesse dos alunos destas instituições em buscar conhecimento – e até mesmo diversão – nos livros, é o que acredita Everaldo, proprietário do “Kombão do Livro” e do Casarão do Livro – onde centenas de exemplares ficam depositadas – que ficam localizados próximo ao Centro de Ensino Médio EIT em Taguatinga Norte. Há cinco anos, ele decidiu usar sua Kombi para abrir um sebo nessa área, até mesmo por ficar bem perto de uma escola, o que facilitaria suas vendas. “Acabou que meus clientes são completamente outros, dificilmente os alunos aparecem por aqui em busca de algum livro. Exceto os que estão fazendo concursos públicos” diz. O proprietário diz ficar espantado com isso, já que os sebos serviriam, principalmente, para alunos que não tivessem condições de gastar muito dinheiro em livrarias. Ao desejar que o novo governador do Distrito Federal adote um modelo educacional diferente dos anteriores, Everaldo lembra quando o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, passou em sua Kombi durante uma campanha e comprou um livro de Maria Tereza Nedelcolf, chamado “Uma Escola para o povo”.

 

 

A estudante de uma instituição pública de Taguatinga, Nathalia da Silva Rodrigues, de 18 anos, também diz ser difícil encontrar outros alunos a procura de livros nesses sebos. “Eu tenho o costume de comprar livros aqui desde o inicio do meu ensino médio. Achei a idéia da Kombi muito boa e um incentivo à cultura num lugar público é maravilhoso” assegura a aluna. Ela ainda diz ter notado que é mais fácil uma pessoa que está de passagem se interessar, do que os próprios alunos que estudam ao lado.

 

 

Ordem e progresso

 

 

Para Maria Nelma da Costa Brito, de 52 anos, dona do Recanto dos Livros Usados há 11 anos, que também fica próximo à Praça do Relógio, o desinteresse das pessoas pelos livros não ocorre somente devido o nível precário de educação e analfabetismo do país. “Hoje, por exemplo, você não compra mais revistas, você vai na internet e lê as informações que desejar” diz.

 

 

É possível notar, realmente, que a tecnologia está influenciando na área literária, tanto com os sebos online – onde a pessoa compra ou vende livros pela internet – como os leitores de livros digitais. Em agosto deste ano, o primeiro leitor projetado no Brasil – o Positivo Alfa – chegou às lojas. O novo meio de leitura promete ser motivo de polêmicas no mundo tecnológico, já que os livros digitais estão causando alerta devido a pirataria. Mas essa é outra história…  

 

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