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Brasília

MDB racha e Ibaneis começa a se isolar

Distritais foram pegos de surpresa e veem cargos na estrutura no Executivo ameaçados. Celina Leão mandou recado, via Diário Oficial do DF

Suzano Almeida

22/05/2026 16h56

ibaneis celina dp lago sul

Foto: Carolina Freitas / JBr

A ameaça de rompimento entre a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e de seu antecessor Ibaneis Rocha (MDB) está às portas de gerar um cisma dentro do próprio partido do ex-governador. Atualmente, a Câmara Legislativa  conta com cinco distritais da legenda, e em um momento de crise – para a atual gestora – e de busca por votos – para os parlamentares -, os dois lados não podem soltar as mãos.

A decisão de Ibaneis, em publicizar sua insatisfação com Celina, sem consultar a base do partido na CLDF, pegou de surpresa os parlamentares. Muitos têm cargos no Executivo (secretarias, administrações, empresas públicas) e apoiadores nessas funções, que em época de eleição fazem a diferença.

Para que o governo de Celina tenha viabilidade sem passar por aperto nas votações, a manutenção desses distritais é importante, contando que a governadora tem 17 distritais na sua base na CLDF. Caso eles desembarquem, o número cairá para 12, um a menos do que a maioria necessária para a aprovação de projetos importantes para o Executivo local e quatro a menos do que a maioria absoluta para a aprovação de propostas como alterações à Lei Orgânica.

Surpresa e espaços

A decisão tomada diante do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, envolveu o presidente da Câmara Legislativa e regional do partido no DF, Wellington Luiz, que parecia visivelmente desconfortável durante sua fala, onde dizia que a legenda teria protagonismo nas eleições em uma chapa majoritária.

Wellington tem longa relação com Celina Leão, o que inclui indicações em mandatos da atual governadora, quando ela ainda era deputada federal, e uma ótima relação, anterior a esse período, quando ambos dividiram o plenário da CLDF. O emedebista tem entre suas indicações, cargos estratégicos dentro na Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codhab), onde faz gestão junto à concessão de moradias em programas governamentais.

O desconforto gerou tentativas de apaziguar a situação e repercussões dentro do núcleo parlamentar do MDB-DF. O deputado federal Rafael Prudente quer ser candidato, mas não significa que os seus colegas distritais querem abrir mão de suas indicações. Todos, incluindo a família do agora potencial candidato, com seus contratos com o GDF, têm a perder.

Recado

Nesta sexta-feira (22), Celina mandou o recado para o ex-governador e exonerou os indicados dele. Um aviso de que a relação pode não encontrar um ponto de retorno. Recado dado, e bem dado, também, aos parlamentares.

O líder do governo na Câmara Legislativa, por exemplo, é o deputado distrital Hermeto, do mesmo MDB. Não é segredo para ninguém que acompanha o parlamentar que ele sempre declarou fidelidade a Ibaneis e que, assim que o governo mudou de mãos, ele deixou o cargo à disposição. Foi mantido pela boa relação com os colegas tanto de direita quanto de esquerda, conseguindo consenso em projetos que poderiam causar desgastes ao Palácio do Buriti.

Hermeto possui diversas indicações, especialmente em administrações e junto ao comando da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). A perda de espaço dentro da corporação, às vésperas das eleições, poderia trazer prejuízos à sua tentativa de reeleição.

A lista segue com Iolando Almeida. Com indicações na Secretaria da Pessoa com Deficiência e na Administração de Brazlândia pouco ou nada tem feito o parlamentar se manifestar, mas ele segue com grande volume de espaços conquistados dentro da estrutura do GDF, que lhe rende bom apoio. 

Daniel Donizet também conta com muitos espaços. Ele tem grande atividade na pasta da causa animal e na Administração do Gama, reduto que precisa de muita atenção por sua parte. O caso do parlamentar é singular: o distrital se viu em escândalos envolvendo assédio e violência sexual e foi Ibaneis que lhe deu a mão quando todos haviam soltado. Seus processos de cassação estão parados na Câmara Legislativa (de onde não devem sair e ele seguirá normalmente a vida) e tudo isso graças ao ex-governador.

Jaqueline Silva é a que tem a situação mais confortável entre os emedebistas. Ela é a presidente da Comissão de Assuntos Fundiários (CAF). Posição estratégica para quem tem nas mãos a pauta de projetos relacionados ao solo do Distrito Federal. Ainda assim, para as pretensões eleitorais daquela, suas nomeações na Administração de Santa Maria são importantes.

O cenário dado não é bom para nenhuma das partes. Ibaneis precisa de apoio, os deputados de cargos, Celina de votos na CLDF e a cúpula do MDB de um candidato a majoritária, seja na chapa da governadora ou não. Falta combinar com os colegas de partidos.

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