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Rener Lopes
rener.lopes@jornaldebrasilia.com.br
Cumprida com sucesso. Foi assim que mais de 2.100 militares do Corpo de Fuzileiros Navais realizaram, nesta sexta-feira (30), a Operação Formosa 2011, um exercício de movimentos para a segurança marítima brasileira.
A operação foi orçada em R$ 5 milhões, incluindo armamento, combustível, entre outras coisas (veja box abaixo). Mas o vice-almirante Walter Carrara Loureiro, comandante do Sétimo Distrito Naval, tratou de minimizar o motivo pelo alto custo.
“É pra mostrar para vocês, jornalistas e população, onde os impostos que todos nós pagamos está sendo investido, na segurança do patrimônio marítimo brasileiro”, afirmou em entrevista coletiva.
As atividades aconteceram em Formosa (GO), distante 80 quilômetros de Brasília, em uma área totalmente isolada de população e moradias. O terreno total é de 52 quilômetros de extensão, praticamente igual ao do estado do Rio de Janeiro.
A demonstração foi realizada totalmente com armamento real, incluindo desde projéteis de fuzil e metralhadoras, até mísseis e morteiros. Uma das munições alcança até 17,2 quilômetros de distância.
A operação serviu para simular uma ocupação ou retomada de terrenos, garantindo a presença das forças militares no local. Segundo o comando da Marinha, são realizados cerca de oito treinamentos ao longo de todos os anos.
Também foram utilizados blindados, tanques, caminhões, canhões e até helicópteros, para levar os militares às ações. Parte deste transporte é disponibilizado para casos de utilidade pública, como por exemplo, as enchentes de Nova Friburgo e Teresópolis, que ocorreram no início do ano.
Ações internacionais
De acordo com o comandante das operações, o almirante de esquadra João Afonso Prado de Faria, acontecerá uma experiência semelhante à do Haiti, no ano passado. “Nós enviaremos uma fragata (União) para o Líbano, juntamente com 15 policiais, no próximo dia 06 de outubro. Estaremos com todo o apoio que for necessário”, informou.
Contudo, estas ações de apoio não são compatíveis com eventos esportivos, caso das olimpíadas e da Copa do Mundo: “Para estes casos, nós também realizamos treinamentos, mas com armas que não são letais”, ressaltou o comandante.
Saudade da família
Muitos dos mais de dois mil militares que participaram do treinamento vieram do Rio de Janeiro. É o caso do Terceiro Sargento Wanderson Almeida Nóia de Oliveira. Residente em Duque de Caxias e pai de uma filha, o militar conta como é atuar em casos como esses.
“É muito gratificante pra gente poder ajudar os outros nas horas de mais dificuldades. Aí a gente dá valor à vida”, conta Wanderson, que já participou de duas operações da Marinha do Brasil no Haiti.
Mas o que toca o Terceiro Sargento é a saudade da filha e da esposa. “A saudade é imensa. A falta deles [família] é tamanha”, diz o militar, indo às lágrimas.
Wanderson, assim como a maioria dos militares vindos do Rio de Janeiro, está em Brasília há vinte dias para realizar os treinamentos. Para ele, o trabalho não é nada fácil. “O incrível é que a gente perde a noção do tempo quando estamos em trabalho. Quando você para pra pensar é que você descobre em que dia da semana estamos”, explica o militar.
Saiba mais
Ao todo, foram gastos R$ 5 milhões na Operação Formosa 2011. Confira a destinação do dinheiro:
R$ 200 mil – Combustível
R$ 320 mil – Alimentação
R$ 850 mil – Transporte
R$ 3,5 mi – Munição
R$ 130 mil – Gastos Diversos