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Brasília

Manifestantes resistem a retirada das barracas da Esplanada

Arquivo Geral

07/09/2013 9h00

Os integrantes da Ocupação União Brasília Brasil não desistiram de permanecer no gramado central da Esplanada dos Ministérios. Embora tenham retirado a estrutura de barracas,  a energia elétrica e os aparelhos eletrônicos na noite de quarta-feira, os ocupantes  resistem e garantem que vão continuam na área hoje, durante o desfile de 7 de setembro. Pelo menos 25 pessoas se revezam no local durante o dia. Mas, segundo os acampados, à  noite os cerca de 50 ativistas dormem no local, que agora conta  apenas com colchões e malas.

 

O acampamento ganhou força desde quarta-feira à noite, mesmo após a retirada   das tendas. Pessoas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraíba, Maranhão e São Paulo chegaram para apoiar os manifestantes do Distrito Federal, que pedem reforma política e econômica do País. A promessa dos ativistas é de retomar o acampamento, com mais  tendas, após o desfile.

 

Nova estratégia

 

Os manifestantes planejam mudar o nome do acampamento, para que a ação tenha mais força. “A nossa ideia é de ressurgir das cinzas em um novo movimento. Só vamos sair quando conseguirmos reforma política. O governo não vai conseguir nos retirar”, afirma Sandra Alves, 33 anos. 

 

A geógrafa  considera que houve arbitrariedade por parte do governo durante a retirada das tendas. “Sofremos uma ditadura não avisada. A ocupação tem  o cunho de acabar com a corrupção. Não queremos terra”, ressalta.

 

Natalie Gomes, 36 anos, chegou da Paraíba para ingressar na ocupação na noite de quarta-feira, quando as barracas estavam sendo desmontadas. A moradora de João Pessoa destaca que as reivindicações só serão ouvidas quando o povo for às ruas. “Vim porque faço parte desse movimento como cidadã. A casa legislativa é do povo, e o gramado Congresso Nacional é do Brasil inteiro”, aponta.

 

Volta para casa

 

A designer reforça que estuda a possibilidade de adiar a volta para João Pessoa por conta da ocupação. “Espero que um dia haja reação diante das reivindicações. Não tenho medo. Lutamos sem nada, apenas com coragem e força. Vamos continuar assim”, reforça.

 
Conflito com a Polícia Militar
 
Na tarde de quarta-feira,   houve  tumulto no gramado  devido à presença de pelo menos 12 pessoas mascaradas. Dois adolescentes foram apreendidos. O advogado do grupo, Gilson dos Santos,    contesta a atitude da polícia. “Não há lei que proíba as pessoas de cobrir  o rosto”, disse.
 
 
Ocupação é legal, avalia defensor
 
Na tarde de quarta-feira, o defensor público do Distrito Federal, Alexandre Braúna, esteve no gramado central da Esplanada dos Ministérios. Ele acompanha os manifestos na capital desde o início dos protestos. Segundo o defensor, as barracas do até então Acampamento União Brasília Brasil não podem se caracterizar como edificação, como classificou o governo.
 
“As tendas se caracterizam pela mobilização e por isso não podem ser classificadas como edificação. Isso está sendo utilizado pelo governo como forma de argumento para a saída dos manifestantes, que têm o direito de  ficar em um espaço público”, avalia.
 
A Lei de Segurança Nacional, que, segundo os manifestantes também estava sendo utilizada como   argumento pelo governo, é contestada pelo defensor público. Braúna explica que a lei é anterior à Constituição e, por isso, precisa ser reavaliada. 
 
“É necessário ponderar o que diz a Constituição Federal,  que é plena. O acampamento  é legal pelo direito à liberdade e à democracia”, ressalta o defensor público.

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