Luís Augusto Gomes
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Amaior clonagem no Brasil de cartões vale-alimentação foi descoberta por policiais da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco) da Polícia Civil do Distrito Federal. Mais de dois mil cartões foram encontrados com 20 pessoas de classe média, presas ontem, durante a Operação Vips, por envolvimento em três organizações criminosas especializadas na fraude. O prejuízo do golpe aplicado pelo bando está avaliado em mais de R$ 1 milhão. Sete suspeitos permaneciam foragidos até o fechamento desta edição.
O que mais chamou a atenção dos investigadores foi a estrutura das organizações. Elas agiam de forma independente no Guará, Colônia Agrícola Vicente Pires, Taguatinga e Brazlândia. A polícia suspeita do envolvimento de funcionários da empresa de cartões fraudada e de comerciantes.
Sistema de segurança
As quadrilhas falsificavam os cartões depois de entrar no sistema de informática da empresa francesa, que trouxe a fórmula do cartão de alimentação para o Brasil, usando os quatro últimos números da conta como senha. Os golpistas copiavam os dados dos clientes beneficiados, os valores dos créditos e passavam para cartões falsos. Uma máquina usada na clonagem foi apreendida.
A fraude só foi descoberta depois que mais de 500 clientes denunciaram o desaparecimento dos valores nos cartões. Em uma das conversas telefônicas gravadas com autorização judicial, um golpista pergunta ao cúmplice: “Quanto tem de crédito, hoje”? Em seguida, o crédito é transferido para o cartão clonado. “Na Europa nunca ocorreu fraude semelhante, mas no Brasil o esquema de segurança não funcionou”, disse o delegado Henry Peres Lopes, chefe da Deco.