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Brasília

Mães de Luziãnia querem indenização do Estado

Arquivo Geral

14/04/2010 8h58

As mães dos seis jovens assassinados em Luziânia (GO) vão entrar na Justiça contra o Estado. Os rapazes foram mortos por Adimar  Jesus da Silva, após ser libertado da prisão, onde cumpria pena por abuso sexual contra dois menores. O pedido deverá ser ajuizado ainda essa semana e entregue pessoalmente amanhã ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, durante uma audiência. 

Os familiares entendem que houve um erro do Judiciário ao permitir a soltura do pedreiro, considerado psicopata  em um laudo psiquiátrico. O documento dizia que Adimar tinha “grave distúrbio”, era uma pessoa “perigosa” e que deveria ser mantida “isolada do convívio social”. 

“Eles só foram mortos porque esse assassino foi posto em liberdade. Se ele estivesse preso, como sempre deveria ter sido, estaríamos hoje na companhia deles”, desabafa Lúcia Lopes, irmã de Márcio Luís, uma das vítimas de Adimar. Segundo ela, a decisão foi tomada em conjunto por todas as mães.

Para Sônia Azevedo, mãe de Paulo Victor, qualquer indenização que possa vir, independentemente do valor, não paga o estrago causado, entretanto, considera uma forma de fazer Justiça. “Quem colocou esse bandido nas ruas também é responsável por toda essa dor”, argumenta. Durante três meses ela percorreu mais de cem cidades em busca de informações sobre o filho e se diz inconformada com esse desfecho. As mulheres ainda não constituíram advogado para tocar a ação.
Enterro
As mães de Luziânia agora se preparam para o adeus aos filhos. E, provavelmente, não terão que esperar 15 dias para realizar o enterro, como estava previsto inicialmente. Os corpos só serão liberados após o resultado dos exames de DNA, que identificarão as vítimas. “Diante da situação e do empenho dos técnicos, o resultado deverá sair em um prazo de dez dias”, esclarece Sônia Cristina, diretora do Instituto Médico-Legal de Luziânia.

As amostras – fragmentos de ossos – foram encaminhadas para exame em laboratório da Polícia Federal em Brasília na segunda-feira. Por conta do avançado estado de decomposição dos corpos não foi possível fazer o exame de outra forma.

O delegado responsável pelos inquéritos, Juracy José Pereira, relata que a identificação científica é realmente a preocupação primeira nesse momento. “Estamos cientes do sofrimento desses familiares e queremos agilizar esse processo dentro daquilo que é possível”, afirma. Entretanto, relata que o trabalho também continua a todo vapor.

O laudo cadavérico, por exemplo, já está pronto e só não foi repassado à equipe de investigação por não ter sido digitalizado ainda. Segundo informações dos peritos do IML da cidade goiana, os rapazes sofreram fortes pancadas na cabeça verificadas nos afundamentos, principalmente, na parte de trás do crânio. Tudo leva a crer que uma enxada foi utilizada pelo criminoso. 

Os peritos também identificam que um dos rapazes teria sofrido uma forte lesão  no abdome. O documento é fundamental para entender como e de que forma os crimes foram executados.

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