Um dos cartões-postais de Brasília, a Península do Lago Sul está abandonada. Segundo a Associação de Moradores da QL 12, o parque, localizado às margens do Lago Paranoá, não passa por reparos necessários há pelo menos cinco anos. Para eles, os problemas começaram depois que a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) fez a instalação da rede de esgoto no local. Após a obra, boa parte do asfalto da ciclovia rachou e os muros de arrimo começaram a desabar. “A qualquer momento tudo pode vir abaixo”, alerta o presidente da entidade, Joaquim Pereira. Na época da instalação, lembram representantes da associação, a Caesb fez uma enorme vala na área, causando “cicatrizes” no terreno. Depois disso, a empresa só voltou ao local para fazer o recapeamento do asfalto na ciclovia, o que foi, apontam, apenas “um remendo” diante do estrago feito.
Além disso, moradores contam que a Defesa Civil já foi acionada diversas vezes. Enquanto isso, em pelo menos cinco pontos da orla, as muretas de contenção estão desabando e as erosões aumentam gradualmente. “Qualquer pessoa que passar por aqui mais distraída ou até mesmo crianças correm risco de cair nos buracos, de escorregar. É um perigo constante e, infelizmente, ninguém faz nada”, diz o morador André Mattos, 26 anos.
Problemas
Corredores e ciclistas andam pela área se desviando das rachaduras e afundamentos no asfalto. Para um dos diretores da associação, a falta de retorno da Caesb, mesmo com pedidos dos moradores, é um “desleixo” com o parque. O problema chegou a tal ponto que foram instaladas placas avisando sobre o perigo de determinados pontos.
Todos os problemas relacionados ao Península já são do conhecimento da Administração Regional do Lago Sul. Por meio de ofícios, a Associação de Moradores encaminhou fotos e outros registros de árvores que caíram, da ciclovia quebrada e dos muros desabando. Porém, reclama Pereira, “não obtivemos nenhuma resposta. Já faz dois anos que relatamos essas coisas”.
Um dos moradores da área que caminhava no local lembra, ainda, dos impostos pagos. “São milhões por ano aqui nessa região. O mínimo seria termos o retorno disso”, provoca Gustavo Santos, 43.
Bom senso
Outro ponto crítico do local são as poucas vagas no estacionamento, que aos finais de semana somem com a grande quantidade de visitantes na área.
Para Pereira, o Parque Ecológico não é apropriado para eventos, ainda mais porque é proibido comer e beber ali dentro. “É realmente caótica a situação para quem mora nos últimos conjuntos próximo ao parque. E o pior é que a gente não pode fazer nada, a não ser contar com o bom senso dos frequentadores”, salienta o presidente da associação, lembrando do direito de ir e vir.
Versão Oficial
Procurada pela reportagem do Jornal de Brasília, a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) respondeu que os muros de arrimo construídos no Parque da Península já estavam no local antes da implementação da rede coletora de esgotos que atende a QL 12. Além disso, devido à característica do solo do Lago Sul, de lençol freático superficial, essa rede coletora foi implementada a baixa profundidade, de forma a evitar impactos no solo da região e propiciar processos erosivos, tendo reflexos mínimos no pavimento da ciclovia. “Dessa forma, a Caesb entende que os problemas apontados são originados de deficiências construtivas do muro de arrimo, que não foi preparado para a ação das intempéries do local e não pela rede implantada pela Caesb. Recomenda-se, assim, que a administração do parque reavalie o projeto desse muro de arrimo, prevendo eventuais esforços estruturais”, informou a assessoria da empresa da Caesb.