Carlos Carone
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O envolvimento de adolescentes com atos infracionais graves provocou uma explosão no número de apreensões, tanto em flagrante quanto por força de mandados. Apenas a Delegacia da Criança e do Adolescente I (DCA I) apreende, por dia, uma média de nove adolescentes. Entre janeiro e junho deste ano, 1,7 mil adolescentes foram parar na delegacia por atos infracionais relacionados à tráfico e porte de drogas, roubo e porte de armas.
O fenômeno fez com que 132 armas fossem encontradas com os jovens, 12 a mais do que nos primeiros seis meses do ano passado. Nos últimos 12 meses, quase 600 armas, entre revólveres e pistolas, foram apreendidas em poder de algum adolescente apreendido durante abordagens feitas pela Polícia Militar. E o número continua a crescer.
Os homicídios cometidos por motivo fútil também acompanham a rotina dos adolescentes que estão no mundo do crime. O enforcamento ocorrido na madrugada do último dia 1º, em uma das celas do Centro de Integração do Adolescente de Planaltina (Ciap), foi esclarecido pela polícia. O rapaz que morreu tinha passado por uma “meia hora”. A gíria, usada pelos internos, diz respeito ao tempo que um adolescente passa apenas “implicando ou chateando” o outro.
Quem teria feito a sessão de “meia hora” teria sido o autor do crime. “O menor que foi assassinado se irritou e acabou dando o soco no colega. O que apanhou esperou todos dormirem e o enforcou por vingança”, explicou a delegada-chefe da DCA I, Viviane Bonato. O adolescente apontado como autor do assassinato já havia se envolvido em outro homicídio ocorrido na Unidade de Internação do Recanto das Emas (Uire).
O especialista em segurança pública George Felipe Dantas analisou o fenômeno criminológico que envolve cada vez mais adolescentes. De acordo com ele, outros esforços públicos precisam somar-se, antes e depois, aos esforços feitos pela polícia para apreender os infratores. “É esse o caso, por exemplo, dos serviços sociais no sentido da preservação da integridade de crianças e adolescentes que fazem parte de grupos de risco, muitas vezes expostos entre famílias que passaram a ser parte da população de rua”, disse.
Dantas ressaltou que não basta proteger os adolescentes – que fazem parte de famílias desestruturadas – no contexto de atos infracionais cometidos. “Já é tempo de investir em prevenção qualificada, para não onerar depois a sociedade inteira com uma repressão que é apenas retórica em termos de resultados. Já é tempo de investir no futuro para que a sociedade não tenha que pagar um alto preço pela irresponsabilidade do passado”, afirmo