Leandro Cipriano
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Apesar de serem considerados os melhores amigos do homem, os cães também podem ser vetores de graves doenças, como a raiva e a leishmaniose. A recomendação do Ministério da Saúde ao identificar animais com diagnóstico positivo para as duas enfermidades é a eutanásia, como forma de impedir infestações. Somente no ano passado, 1.741 cães do Distrito Federal com suspeita de ter raiva ou leishmaniose foram sacrificados – uma média de cinco mortes por dia. A prática ainda é condenável pelas entidades protetoras dos animais.
Os dados são do Relatório Anual de Atividades da Secretaria de Saúde do DF, que incluem o Controle de Fatores Ambientais de Risco Biológico. Foram examinados aproximadamente 2,5 mil cães por meio de testes laboratoriais, e mais de 3,7 mil animais foram observados.
De acordo com a Vigilância Sanitária do DF, cerca de 80% dos casos de leishmaniose do mundo são encontrados no Brasil – a grande maioria transmitida pelos cães.
Sobradinho já é considerada uma área crítica de transmissão de leishmaniose. Na Fercal, foi constatado pelo Relatório Anual que 19% dos cachorros estão infectados. No condomínio de Serra Azul, também na cidade, a taxa atingiu 26,1%. Entre outros locais analisados pela Vigilância Ambiental estão o Varjão, Lago Sul e Norte, Itapoã e Estrutural, que também já se mostraram focos preocupantes da leishmaniose.
A diretora-geral da Sociedade Protetora dos Animais do Distrito Federal (Proanima), Simone Lima, discorda da veracidade dos casos de doenças, assim como da prática da eutanásia. Segundo ela, os exames sorológicos realizados para detectar as infecções nos animais não são precisos. O recomendável seria um diagnóstico por meio de exames parasitológicos de medula, ao qual o DF ainda não tem capacitação. Sem o resultado correto, o sacrifício é realizado em animais apenas suspeitos de estar infectados.
“Por causa de uma sorologia falha, os animais estão sendo mortos sem que se saiba se têm mesmo as doenças. Não houve um caso justificável de raiva no DF no ano passado para adotar a eutanásia. E quanto à leishmaniose, quem transmite é o mosquito. Não adianta tirarem os cães das ruas, se os mosquitos continuarem no ambiente, causando a doença”, analisou Simone Lima.
Por meio de uma portaria, o Ministério da Saúde informa que a eutanásia é a medida utilizada em vez de tratamentos e vacinas caninas, pelo temor de um protozoário mais resistente ser criado. Isso impediria que os poucos medicamentos disponíveis para o tratamento da doença em humanos surtissem efeito.
A diretora-geral da Proanima ressalta que a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) desqualifica a eutanásia como solução para controlar a leishmaniose e a raiva. “Essa política já se mostrou ineficaz há tempos, tanto é que as doenças se alastram mesmo com as mortes dos animais”, apontou Simone.