Marina Marquez
marina.marquez@jornaldebrasilia.com.br
A Lei Seca completou, no último dia 20, dois anos e cinco meses de existência. Nesse período, só no Distrito Federal 17.530 pessoas foram autuadas por dirigir sob a influência de álcool, sendo que mais de 25% delas foram presas por dirigir com quantidade de álcool no sangue superior à permitida, 0,34 mililitros por litro expelido de ar, ou se envolveram em acidentes embriagadas. Em 2010, a média de autuações é de 29 pessoas por dia, número considerado pequeno por especialistas, que acreditam que, a cada 5 mil pessoas que bebem e conduzem um veículo, entre sexta-feira e domingo, apenas uma é parada na fiscalização.
A maior preocupação do Detran quanto à mistura de álcool e direção é que, com o tempo, algumas pessoas acreditam que a fiscalização diminuiu, acreditam na impunidade e acabam se esquecendo do risco à vida que é dirigir embriagado. Um levantamento do Instituto Médico-Legal (IML) entre julho de 2008 e dezembro de 2009 revelou que quase metade das pessoas que morreram em acidentes de trânsito nesse período estava com nível de álcool encontrado maior que 0,35 ml/l. Entre os motoristas, 52,2% tinham ingerido bebida alcoólica, seguidos de pedestres, 58,5%, motociclistas, 51%, e ciclistas, 41,7%.
“Atualmente, nossa maior preocupação são os motociclistas porque se envolvem em muitos acidentes e é a frota que mais cresce, aumentando cerca de 27% a 30% anualmente”, afirma o diretor de Segurança no Trânsito do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF), Silvain Fonseca. De acordo com ele, a cada dez motociclistas parados em fiscalizações de rotina, quatro não possuem carteira de habilitação e dois beberam antes de dirigir.
O álcool aliado à direção é um perigo potencializado no caso de motociclistas, segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito e professor da Universidade de Brasília (UnB), David Duarte. “Em um veículo de duas rodas como a moto, o equilíbrio é um ponto essencial para a boa direção e o álcool vai afetar exatamente a questão do equilíbrio, diminuindo essa capacidade do motociclista”, explica.
Leia mais na edição desta terça-feira (23) do Jornal de Brasília