Luís Augusto Gomes
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O laudo do Instituto Médico Legal (IML) que vai comprovar se uma mulher nigeriana, professora de inglês, de 32 anos, foi estrupada dentro da residência oficial do embaixador da Nigéria, na QI 5, Lago Sul, será concluído hoje. Além da suposta violência sexual, a mulher teria sido espancada a socos no rosto e obrigada a deixar o imóvel com a filha de seis anos, à noite.
Apontado pela vítima como autor da violência, o mordomo nigeriano I.M.A., 41 anos, que também é pastor e mora na residência oficial, prestou depoimento ontem à tarde na 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul). Ele chegou acompanhado por um advogado da embaixada, um intérprete e um oficial da representação diplomática.
Durante duas horas, o nigeriano negou ter mantido relações sexuais com a compatriota. Disse que não a estuprou e muito menos a agrediu. Admitiu ter conhecido a suposta vítima em uma festa de ano-novo, ano passado, na embaixada. Para ajudá-la, permitiu que ela fosse passar algum tempo na residência.
O mordomo afirmou em depoimento que na quinta-feira passada, a mulher chegou com um dos olhos inchado e teria dito que a filha a feriu acidentalmente. Ele informou ainda que no sábado último teria dito à mulher que o embaixador não concordava com a presença de uma pessoa que não era do quadro na casa e ela teria que deixar de deixar o imóvel.
De acordo com o delegado-chefe em exercício, Wisllei Salomão, o mordomo não possui imunidade diplomática. Por isso, caso fique comprovada a violência sexual e o espancamento, ele será enquadrado conforme a lei brasileira.
Wisllei disse que a embaixada se colocou à disposição para prestar esclarecimento e ajudar a polícia na investigação. “O embaixador informou que a representação também vai apurar o caso”, disse.
O delegado vai ouvir pessoas que moram na residência oficial para ter a ideia do que ocorreu. No entanto, ele considera o laudo do IML muito importante para apontar o estupro e a violência sexual. O documento poderá apontar, por exemplo, quando ocorreu a lesão no rosto da vítima. Se ficar comprovado que a mulher foi estuprada e espancada, o suspeito poderá ser indiciado por estupro e lesão corporal. Pelos dois atos ele poderá pegar uma pena de até 13 anos de reclusão.
No último sábado, a professora procurou a Polícia Militar depois de ser supostamente agredida pelo suspeito. Os militares a levaram à delegacia, onde ela registrou ocorrência. A mulher afirmou ter sido estuprada duas vezes, nos dias 11 e 24 de junho. O mordomo teria retirado a calça jeans da mulher à força e a obrigado a manter relações sexuais.
A polícia foi à casa, mas um funcionário disse que o embaixador não atenderia porque estava em repouso noturno. “Como não tínhamos o mandado, tivemos que intimá-lo”, disse o delegado, que não descarta pedir a apreensão do passaporte do suspeito para que ele não deixe o País.