A situação do Lago Paranoá se complica após o vazamento de óleo no Hospital Regional da Asa Norte (Hran): o material atingiu as profundezas do espelho d’água. Mergulhadores encontraram o óleo em um ponto perto do Iate Clube. A providência, agora, é fazer um mapeamento do local e depois afastar as barreiras de contenção, de modo a atingir uma área maior, já que elas serão colocadas depois da parte submersa contaminada. Será necessário comprar um produto importado dos Estados Unidos para a retirada do poluente. Na superfície, no entanto, não foi constatada outra mancha.
Palco de diversas atividades no fim de semana, o lago atraiu, ontem, pouquíssimos brasilienses. O dano ambiental afastou banhistas, embarcações e praticantes de esportes no espelho d’ água, cientes da restrição do uso das águas.
No Iate Clube, sócios demonstraram preocupação com a qualidade da água e revolta com o descaso dos responsáveis. Segundo o engenheiro Carlos Miranda, sócio do espaço, muitos donos de barcos devem estar com medo de colocar as lanchas no Paranoá. “Eu mesmo sempre coloco meu barco na água, mas estou com receio por causa do óleo. Mesmo passando cera nele (no barco) o óleo pode sujar e danificar”, disse.
Alternativa
Para o vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil no DF (OAB-DF), Edison Garcia, também sócio do clube, construir um sistema de filtragem para minimizar os impactos ambientais seria fundamental. “Nós, que temos o direito de usufruir dos benefícios que o lago proporciona, já denunciamos algumas vezes esse problema. O que atinge a população não é apenas esse desastre, mas também a quantidade de sujeira”, declarou.
Segundo ele, existe um projeto para a construção de uma bacia de filtragem, onde a água pluvial passaria por um sistema de filtragem de tela para a retirada dos resíduos sólidos. “Isso já seria um avanço para os esportistas”, ressaltou.
Multa
A Secretaria de Saúde será multada em R$ 280 mil por conta do dano ambiental. O valor máximo da multa é devido à reincidência do caso.
No ano passado, o Hran também foi protagonista de problemas relacionados ao vazamento de poluente de suas caldeiras.
Na época, a secretaria recebeu multa de R$ 63 mil, valor que não foi pago até hoje.
Preocupação não impede banhistas
Segundo o instrutor de vela do Iate Clube, Nicolas de Lassus, pais de alunos demonstraram preocupação com a saúde dos filhos. “Recebi várias ligações dos responsáveis pelas crianças durante a manhã, mas como não existe nenhuma fonte oficial que tenha proibido o contato com a água, mantivemos as nossas aulas normalmente”, diz. “Mesmo assim, não se pode negar que houve muita preocupação por parte de todos”, completa Nicolas.
No Parque Península dos Ministros, o desastre ambiental também não impediu os banhistas. No entanto, a preocupação com a reincidência do problema causa apreensão nos que utilizam o espelho d’água para praticar esportes. “É a primeira vez que entro na água depois do acidente. Só vim praticar meu esporte porque sei que estou longe de onde ocorreu o vazamento. Por enquanto estou tranquilo mas, se isso continuar sendo um problema frequente, a preocupação será grande”, disse o servidor público Bruno Brandão.
Prejuízos
O aparecimento de três animais, duas tartarugas e um filhote de ave, cobertos de óleo, na última sexta, comprovou os prejuízos que o acidente causa a fauna. Eles foram levados para o zoológico, mas o filhote não resistiu. Ontem pela manhã, o Ibama encontrou mais dois animais mortos, mas não se sabe ainda se eles morreram em decorrência do óleo.