Doa a quem doer, os relógios deverão ser adiantados uma hora à meia noite. Essa é a primeira preocupação para o horário de verão, que irá até o dia 16 de fevereiro de 2014. Mas, de qualquer forma, a verdade é que o relógio interno e o corpo precisam se preparar para adaptar ao novo horário. Isso acontece porque nessa época do ano os dias são mais longos, então é possível reduzir a demanda por energia no horário de pico, que vai das 18h às 21h.
Especialistas e população se perguntam se a economia de energia elétrica compensa os transtornos para quem deve acordar cedo e adequar as atividades diárias ao novo horário. Para a fisiologista Keila Elizabeth, uma hora a menos de sono pode atrapalhar muito, principalmente os trabalhadores que acordam cedo para pegar um ônibus.
“A sensação que temos é que em uma semana o nosso corpo começa a se adaptar. Mas essa mudança é muito endócrina, mexe com nossos hormônios e nosso organismo. Ou seja, demora mais que um mês para nosso corpo se acostumar às alterações do claro e escuro que ajudam a organizar o nosso organismo”, explica Keila.
A indicação da especialista em fisiologia é que as pessoas tentem entrar no novo fuso horário o mais rápido possível, principalmente para os vespertinos. “Para quem está acostumado a acordar cedo e tem um funcionamento mental melhor de manhã, os matutinos, a mudança é menos radical. Mas os vespertinos sofrem, vão sentir muito sono e pode até ser perigoso pegarem no volante para dirigir de manhã ou fazerem tarefas de muita precisão”, recomenda.
Saiba Mais
Além do Distrito Federal, dez estados estão incluídos no horário de verão: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.
Economia de energia vale o sacrifício?
A média economizada no período de quatro meses de horário do verão equivale ao consumo, neste mesmo período, de uma cidade de 500 mil habitantes. Segundo a CEB, a iluminação pública será acionada mais tarde e, mesmo com as pessoas ligando equipamentos de madrugada, a redução de demanda no horário de pico fica em torno de 3% a 4%.
Para Jorge Madeira, professor de economia na UnB, é difícil analisar se a poupança vale os sacrifícios. “As luzes ficam apagadas por um pouco mais de tempo, não tem a menor dúvida de que poupa energia. Não é nada fantástico, mas é positivo. Mas na economia a gente considera outras análises também. Será que isso afeta a produtividade e segurança das pessoas?”, indaga.
Adaptação
O educador físico Marcos Lima tenta ver um lado positivo, mas diz preferir que não houvesse a troca no horário. “Quando o corpo começa a se adaptar, troca de novo o fuso e a gente perde a rotina mais uma vez. Não sei se faz tanto sentido aqui, economicamente, como é no norte do País”, argumenta.
O jovem casal Jhonattan Lucas, 19 anos, e Gabriella Pires, 18 anos, é tranquilo a se acostumar ao novo horário. “É ruim acordar quando ainda não tem sol para ir para a escola, mas depois é melhor”, confessa Gabriella. Para o rapaz, a hora a mais no final do dia vale a pena: “Saio do colégio às 12h30 e vou para o curso até 15h. Saindo e ainda vou ter muito tempo de sol para aproveitar com minha namorada”, diz.
Serviço
Os ônibus com partidas até as 23h59 de hoje sairão normalmente, obedecendo ao horário antigo no Terminal Interestadual de Brasília.
Os ônibus que têm saem a partir da 1h de amanhã sairão obedecendo ao novo horário. Não haverá passagens datadas de 19/10/2013 com horário de embarque entre 0h e 0h59.
Aos passageiros de avião, a Anac orienta entrar em contato com as empresas aéreas em caso de dúvidas sobre os horários programados.