Jovens da Cidade Estrutural vêm ganhando voz há 12 anos com o Instituto Reciclando Sons. A organização não governamental (ONG) utiliza a música como instrumento de educação, integração social, desenvolvimento de pensamentos lógicos e analíticos, aumento da concentração e cognição e o desenvolvimento motor.
Em agosto, a metodologia da instituição foi reconhecida como “tecnologia social” pela Fundação Banco do Brasil e está entre as seis finalistas do prêmio da fundação.
Arthur Felix foi aluno na ONG há quatro anos e hoje é professor no local. “No começo eu vim para aprender e acreditei no trabalho da instituição. Além da música, a gente ensina convivência e auto-estima. Acho importante eu estar aqui mantendo a identidade da Estrutural”, conta o jovem, que ensina aperfeiçoamento musical para os alunos mais avançados.
Metodologia
A metodologia de formação da ONG é dividida em três fases: cultural, que começa com o canto em coral; educacional, com teoria musical e instrumento; e a formação profissional. “Essa visa preparar qualquer um para conseguir a carteira da Ordem Profissional de Músicos”, explica Arthur Felix.
Um dos alunos avançados de Arthur é o violonista Lucas Joshua Teixeira, 14 anos. Ele conheceu a Reciclando Sons em 2009 e encontrou o seu dom da ONG. “Um dia eu tinha visto uma apresentação na TV da Orquestra Sinfônica e gostei muito. Pedi para o meu pai procurar uma aula de violino para mim o quanto antes. Um dia ele foi ao supermercado, ouviu o Arthur tocar e veio descobrir o que era”, lembra o jovem músico.
Quando o pai de Lucas descobriu que as aulas eram de graça e, melhor ainda, perto da casa deles, não pensou duas vezes. Hoje, o irmão mais novo de Lucas também está aprendendo a tocar. Para o adolescente, a melhor parte dessa história é o sentimento de realização. “A gente já tocou até para a presidenta Dilma. Se eu não estivesse aqui, estaria em casa agora fazendo nada”.
A novata do grupo na ONG Záine de Oliveira Militão, 16 anos, acabou de entrar no nível educacional e participa das aulas profissionais para observar e esperar um dia chegar lá. E conta com o apoio dos colegas para conseguir acompanhá-los na hora de tocar uma música. A adolescente escolheu aprender a tocar a viola, um pouco maior que o violino. “É mais fácil”, diz.