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Brasília

Jovens músicos ganham voz em ONG

Arquivo Geral

10/09/2013 8h00

Jovens da Cidade Estrutural vêm ganhando voz há 12 anos com o Instituto Reciclando Sons. A organização não governamental (ONG) utiliza a música como instrumento de educação, integração social, desenvolvimento de pensamentos lógicos e analíticos, aumento da concentração e cognição e o desenvolvimento motor. 

 

Em agosto, a metodologia da instituição foi reconhecida como “tecnologia social” pela Fundação Banco do Brasil e está entre as seis finalistas do prêmio da fundação. 

 

Arthur Felix foi aluno na ONG há quatro anos e hoje é professor no local. “No começo eu vim para aprender e acreditei no trabalho da instituição. Além da música, a gente ensina convivência e auto-estima. Acho importante eu estar aqui mantendo a identidade da Estrutural”, conta o jovem, que ensina aperfeiçoamento musical para os alunos mais avançados. 

 

Metodologia

 

A metodologia de formação da ONG é dividida em três fases: cultural, que começa com o canto em coral; educacional, com teoria musical e instrumento; e a formação profissional. “Essa visa preparar qualquer um para conseguir a carteira da Ordem Profissional de Músicos”, explica Arthur Felix. 

 

Um dos alunos avançados de Arthur é o violonista Lucas Joshua Teixeira, 14 anos. Ele conheceu a Reciclando Sons em 2009 e encontrou o seu dom da ONG. “Um dia eu tinha visto uma apresentação na TV da Orquestra Sinfônica e gostei muito. Pedi para o meu pai procurar uma aula de violino para mim o quanto antes. Um dia ele foi ao supermercado, ouviu o Arthur tocar e veio descobrir o que era”, lembra o jovem músico. 

 

Quando o pai de Lucas descobriu que as aulas eram de graça e, melhor ainda, perto da casa deles, não pensou duas vezes. Hoje, o irmão mais novo de Lucas também está aprendendo a tocar. Para o adolescente, a melhor parte dessa história é o sentimento de realização. “A gente já tocou até para a presidenta Dilma. Se eu não estivesse aqui, estaria em casa agora fazendo nada”. 

 
Técnica integradora e inclusiva


A novata do grupo na ONG Záine de Oliveira Militão, 16 anos, acabou de entrar no nível educacional e participa das aulas profissionais para observar e esperar um dia chegar lá. E conta com o apoio dos colegas para conseguir acompanhá-los na hora de tocar uma música. A adolescente escolheu aprender a tocar a viola, um pouco maior que o violino. “É mais fácil”, diz. 
 
 
Záine conheceu o grupo quando tinha 13 anos e começou pela aula de canto, para poder apresentar na igreja que frequenta. Em março deste ano resolveu dar um salto no aprendizado e buscou aprender a tocar um instrumento de corda. “Eu queria participar um pouco mais do instituto. Acho lindo música clássica, gosto de todos os tipos de música na verdade. Aqui é tudo maravilhoso. Abriram uma porta de oportunidade para a gente, ainda mais de aprendizado para quem gosta de música. É um presente de Deus”, acrescenta.
 
Desenvolvimento
 
A idealizadora e gerente-executiva da ONG Reciclando Sons, Rejane Pacheco, explica que a importância da metodologia ali criada é o protagonismo social dos atendidos e a aplicação deste modelo em outras comunidades vulneráveis. “Essa é uma forma totalmente integradora e inclusiva que visa, principalmente, o desenvolvimento da auto-estima dos alunos. Isso quebra um ciclo vicioso da vulnerabilidade social, mundo de drogas, violência e da ociosidade”, diz.
 
 
Basta querer aprender

Além de Lucas Joshua, outras crianças também fazem parte do projeto, como o tímido Daiman Pacheco, 16 anos. A timidez pode ter o levado a escolher um instrumento tão grande. Apesar de ter começado tocando violino em 2011, decidiu trocar para o violoncelo. “Por causa do tamanho e da minha facilidade”, garante o jovem. 
 
 
Ele ficou sabendo da oportunidade de aprender a tocar um instrumento por meio de um colega e ficou curioso. Depois disso, já fez várias apresentações e diz que, apesar de ficar nervoso algumas vezes, se sente muito inspirado quando toca. Caso algum colega pergunte a ele sobre a aprendizagem, ele tem a resposta na ponta da língua: “Não é uma coisa difícil. Falta a pessoa querer ou não aprender.”
 
 
Serviço 
 
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