Jéssica Antunes
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Em Samambaia, as pessoas têm medo até de falar sobre a insegurança. Neste ano, aconteceu uma média de três homicídios por mês na segunda maior região administrativa do Distrito Federal. Ontem, Rogério Silva Oliveira, de 23 anos, perdeu a vida ao ser esfaqueado no peito após uma discussão e seu corpo ficou estendido no meio da rua por mais de cinco horas. Ali, há uma média mensal de três estupros, cinco tentativas de assassinato e duas de latrocínio. Quinze pessoas são assaltadas por dia.
Tido como reservado, Rogério era pouco conhecido na vizinhança. Não há notícias de envolvimento dele com criminalidade ou existência desafetos. Ele deixou esposa e dois filhos, sendo um bebê de oito meses. O Corpo de Bombeiros chegou a ser acionado para socorrê-lo, mas, quando a equipe chegou, o homem já havia morrido. A 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte) apura o caso.
Agora, o homem integra uma estatística de mais de 31 homicídios que aconteceram em Samambaia neste ano. A Secretaria da Segurança Pública e Paz Social só tem dados computados até agosto e, nos 224 dias dos nove meses, também houve 50 tentativas frustradas do mesmo crime.
Violência
Somente na primeira quinzena de novembro, porém, a Polícia Militar registrou quase duas ocorrências criminais por dia na região. Foram pelo menos 26 casos, entre roubos, uso e porte de drogas, prisão de foragidos, porte de arma e corte de árvore e criação de pássaros silvestres. Mas a contagem ainda não inclui, por exemplo, o feminicídio ocorrido no último fim de semana, que vitimou uma mulher de 38 anos (leia na página 3).
A insegurança não está apenas nas estatísticas. Na cidade, as pessoas evitam falar sobre os casos. Os moradores têm medo, se escondem, reforçam a segurança nas residências e evitam andar pelas ruas, onde sete pedestres foram vítimas de roubo por dia nos primeiros nove meses do ano. Em setembro, moradores fizeram uma marcha pela paz.
Para o líder comunitário Washington Luiz, 50 anos, a população de Samambaia está à mercê do crime. “Nos sentimos inseguros e piorou depois que removeram todos os postos comunitários da cidade. Acho que não há um número suficiente de policiais porque o que temos não dá conta”, acredita. Ao mesmo tempo, considera, o número de pessoas envolvidas com a criminalidade é crescente: “Há muitos desempregados que podem migrar para o crime”, acredita.
Versão oficial
A Polícia Militar garante que é feito patrulhamento diário. “Temos implantado operações que atuam em locais e horários de maior incidência criminal”, ressaltou a corporação. Das4h ao meio-dia, por exemplo, é inibido o roubo a transeunte com foco naqueles que saem de madrugada para trabalhar e, no caminho para a parada de ônibus, são assaltados. “Também criamos a Operação Anjo da Guarda, para inibir ações em coletivos e residências; otimizamos a Operação de Redução de Índices de Criminalidade (RIC), que tem por objetivo reduzir os índices de roubo, furto e tráfico em todo o Distrito Federal”, afirma a PMDF.