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Brasília

Irmãos nascidos para lutar

Arquivo Geral

16/11/2013 9h00

Com seis anos de idade, o pequeno Lucas Pereira Santos já tem muita história para contar. Ele, por exemplo, já é vice-campeão pan-americano de caratê. E isso porque está só há um ano no esporte. Ah, o menino, aluno do 1º ano do Ensino Fundamental, conquistou o 1º lugar no Brasileiro de Karatê Escolar, categoria 5 a 6 anos. E o talento parece ser de família. O irmão de Lucas, Douglas Pereira do Santos, 10 anos, aluno do 5º ano, é o atual campeão brasileiro escolar de sua categoria. 

 

O pan-americano deste ano foi  no Brasil. Mais de 400 atletas, de sete delegações, disputaram os títulos no ginásio do Sesc, em Ceilândia. Agora, os irmãos se preparam para o Campeonato Mundial de Karatê. O evento será em novembro de 2014, na Argentina. Ainda em 2014, os atletas devem participar do U.S Open, espécie de olimpíada das artes marciais, com mais de mil categorias e sete mil atletas. Em 2015, haverá o pan-americano do Chile. 

 

O encontro dos irmãos com a luta ocorreu no projeto Liokan – Sou da paz, não curto violência, do professor de artes marciais Severino da Silva. Fundado em 2000, em Ceilândia, o programa é destinado a crianças e jovens carentes que busquem atividades físicas e culturais para se afastar das ruas. Mais de 210 pessoas a partir de três anos são atendidas. Duas mil pessoas pelo projeto nos últimos 13 anos – 30 alunos se formaram faixas-preta nesse período. 

 

Segundo Severino, também professor de defesa pessoal, a evolução de Lucas, que está na faixa vermelha (3ª de uma sucessão de oito), é surpreendente. Ele diz que a técnica de chute do garoto é avançada para a idade. “Ele tem dom para artes marciais. É concentrado, disciplinado e chuta bem”, elogia. 

 

Lucas gosta do projeto, pois passou a ter uma ocupação após a aula. “Ficava à toa, em casa. E meu professor é muito legal”. E Douglas quer ser músico, mas sem deixar o esporte de lado. “Quero ser cantor de hip hop, mas se tiver a chance pretendo seguir no esporte”, diz.

 

Professores voluntários

 

Para participar dos projetos os alunos devem estar matriculados na escola, ter boas notas e bom comportamento. Severino diz que a prática do caratê contribui para isso. “O esporte ajuda os alunos a ficarem disciplinados, concentrados e a pensarem mais rápido”, fala. Seu sonho é expandir o projeto para a rede pública de ensino. 

 

Há um projeto para inclusão dos alunos ao Ensino Superior. Quatro instituições associadas ao programa oferecem bolsas de 50% a 100% para alunos que concluem o Ensino Médio. “Depois, os alunos compartilham o que aprenderam”, conta.

 

O material exigido pela Federação Mundial de Karatê inclui quimono, luvas, protetor abdominal, caneleiras e capacete. Aqui, o kit custa R$ 450. “Peguei material emprestado para lutar. O material novo é caro. Meus pais não teriam condições de comprar”, fala Douglas.

 

Doação


Os professores do programa são voluntários. Além de Severino, dez ex-alunos do projeto dão aulas de caratê, às terças, quintas e sábados. Além do caratê são oferecidas aulas de teatro, cinema, dança de rua, inglês, espanhol e cursos profissionalizantes, em parceria com o IFB. 

 

Tudo isso no prédio do Conselho Tutelar, Narcóticos Anônimos e Biblioteca Comunitária da Ceilândia, que tem um projeto para reforma. A administração regional, porém, não respondeu ao Jornal de Brasília sobre o prazo para o início das obras.

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