Os primeiros passos para a recuperação do Conjunto da Fazendinha, na Vila Planalto, começaram a ser dados nesta semana. Há anos com problemas de deterioração e apodrecimento das estruturas dos primeiros construtores da capital, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec), administradora do espaço, iniciaram reuniões para elaboração dos projetos necessários no local.
Nesta quinta-feira (5), o presidente do Iphan, Leandro Grass, deu detalhes do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado na última semana. Foram definidos 138 projetos ou obras de recuperação de patrimônios históricos a serem trabalhados até 2026. Os primeiros editais, que irão contemplar 100 projetos de engenharia e arquitetura, serão publicados na próxima segunda-feira (9).
Dos R$ 1,3 bilhão destinados para ações do Ministério da Cultura, cerca de R$ 737 milhões estão disponíveis para uso do Iphan para tais projetos, sendo R$ 212 milhões para 2024, R$ 282 milhões para 2025 e R$ 243 milhões para 2026. Minas Gerais será o estado com maior quantidade de projetos contemplados pelo Novo PAC, sendo 54 destinados às obras na cidade. Em todo o país, alguns já estão em andamento.
O Conjunto da Fazendinha, entretanto, apesar de estar apto para entrar na seleção do PAC, já possui planos de atuação do Iphan e da Secec. “A Fazendinha será recuperada”, destacou Grass ao Jornal de Brasília. “Houve uma sinalização da Secretaria de Cultura ratificando seu interesse de que esse projeto aconteça lá. Ele vai começar muito em breve. Vamos fazer o lançamento dessas intervenções”, continuou o presidente do órgão.
A restauração deverá acontecer nos mesmos moldes dos Canteiros Modelos do Iphan, que consiste em uma estratégia de presença no território para a execução das obras lado a lado à comunidade. Isso significa que, ao longo do processo de restauração, a população local passa a se envolver não apenas na parte estrutural, mas também na parte cultural, aprendendo sobre a importância histórica do conjunto que está sendo restaurado.
O projeto está em fase de elaboração em uma parceria composta pela Secec, Instituto Federal de Brasília (IFB) e Universidade de Brasília (UnB). “Vamos nos instalar na Fazendinha, recuperar as edificações e irradiar para algumas residências e imóveis na Vila Planalto que são históricas, que tem valor cultural e arquitetônico, que estão na base do surgimento de Brasília”, afirmou Grass.
De acordo com Andrey Rosenthal Schlee, diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, as escolhas das parcerias para o projeto de restauração foram estratégicas para dar qualidade de trabalho e de ensino para a população. “Como o espaço é de madeira, colocamos o IFB, que tem expertise nesse material, assim como a UnB, para fazer um levantamento com os moradores locais para saber o que estão precisando”, destacou.
“Vamos recuperar uma primeira construção inicialmente. Funciona como um escritório mesmo, de assistência técnica no local, para tentar irradiar [expandir as recuperações] e ir recuperando o Conjunto da Fazendinha, pouco a pouco”, explicou ainda o professor de Arquitetura e Urbanismo na UnB.
O projeto irá incluir aulas de formação cultural e oficinas de marcenaria técnica para que a própria população esteja apta para dar manutenção quando for necessário futuramente em casas da região. “Usaremos a obra como um processo de formação, de melhor relacionamento com a comunidade. […] Tradicionalmente faríamos uma obra emergencial, mas agora estaremos dentro da comunidade em si”, acrescentou.
De acordo com Andrey, como este é um processo de presença do Iphan no território, de maneira a trazer aprendizados para a população local, é possível que as recuperações permaneçam na Vila Planalto por pelo menos dois anos.
Praça dos Três Poderes
Outro local com vistas à recuperação histórica e material por parte da Secec em parceria com o Iphan é a Praça dos Três Poderes, que passará por um estudo e elaboração de projeto para a restauração estrutural e de monumentos. A responsabilidade é do Governo do DF. “Nós temos acompanhado e a nossa relação com o governo tem sido a melhor possível, assim como com todas as prefeituras do Brasil, de uma maneira muito republicana e responsável”, disse Grass.
Para a Praça dos Três Poderes, ainda não há previsão por parte da Secretaria de Cultura ou do Iphan para o início de obras para a restauração do espaço, uma vez que o projeto ainda não está completo. “Assim que ficar, o próprio GDF vai se conectar com o Iphan”, esclareceu o presidente do órgão.