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Brasília

Investimento poderia ir para o metrô

Arquivo Geral

22/06/2013 12h35

Enquanto o montante do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha supera R$ 1,7 bilhão, o sistema de transporte público fica aquém da demanda dos usuários. Essa é uma realidade do metrô do DF. Quase sempre superlotado, os trens param com frequência e o tempo de espera entre um embarque e outro é questionado pelos passageiros. Em contrapartida, o dinheiro do Mané Garrincha daria para expandir o metrô até o fim da Asa Norte, na altura da quadra 216, além de ser suficiente para reconstruir o sistema atual.

 

Se todo o custo da arena fosse aplicado para melhorias do metrô sobraria dinheiro. Os valores a mais dariam conta de reformar o serviço da Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF).  E o excedente poderia ser aplicado no sistema, com benefícios para os usuários que reclamam da demora, superlotação e muitas paradas. 

 

O ex-secretário de Transportes do DF em 2010, Alberto Fraga, destaca que a ampliação do metrô pelos 8 km da Asa Norte seria de R$ 800 milhões, R$ 1 bilhão a menos se comparado ao colocado no estádio. Deputado federal e presidente do Democratas (DEM-DF), ele diz que 1 km de linha de metrô subterrâneo custa R$ 100 milhões. E a mesma quantidade de quilômetro na superfície seria R$ 30 milhões.

 

“A média das estações seria de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões para atender 145 mil pessoas da região norte da capital. Mesmo assim, as obras não chegariam a R$ 1,7 bilhão e o número de veículos e ônibus nas ruas diminuiria. Se o dinheiro do estádio fosse para o metrô o plano de expansão chegaria ao final da Asa Norte e sobraria dinheiro.”

 

Desperdício


Fraga aponta que a linha 2 do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que sairia da Asa Sul para a 502 Norte foi orçada e licitada por R$ 800 milhões, valor muito aquém do Mané Garrincha.  “É um desperdício e o povo está reagindo com manifestações. O que o Mané Garrincha deixa de legado?”, indaga.

 

O professor do Departamento de Economia da UnB, Nilton Marques, diz que considerando R$ 30 milhões para 1 km de linha de trem superficial o preço do estádio daria para construir 60 km de linhas superficiais do metrô. Ele explica que se só o montante fosse aplicado para a ampliação da linha até a Asa Norte, correspondente a um trecho de 8km, sobraria R$ 900 milhões. “O dinheiro excedente daria para outro lado de linha. No caso do estádio o GDF deveria ter retorno do que investiu de 10% anual, R$ 170 milhões por ano. Qual retorno a arena vai dar?”, indaga.

 

pontodevista

 

O professor do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Brasília (UnB), Paulo César Marques, ressalta que o ponto de partida não é o quanto se gasta, mas o que se obtém a partir do investimento. O especialista em engenharia de tráfego aponta que o importante é determinar o ganho e benefício das obras. “Não há dúvidas de que se se investisse um montante de R$ 1,7 bilhão o sistema de transporte melhoraria. No caso do metrô do DF, o investimento não deve se resumir em apenas ampliar as estações, mas, principalmente, expandir o sistema, permitindo uma integração entre as linhas de metrô e ônibus. Quando se trata de sistema de transporte, tem de pensar em um todo que se integra”, destaca.

 

Investimento não tem caráter produtivo

 

O professor de Finanças Públicas da UnB Roberto Piscitelli destaca que o governo fez uma opção equivocada quanto aos investimentos dos valores. Para o especialista, os cumprimentos de uma série de exigências no estádio – orçado inicialmente em R$ 700 milhões – darão retorno baixo ou quase nulo para a capital. “Esse tipo de investimento não é prioritário e não tem caráter produtivo. A construção de um estádio desses vai resultar em quê? Provavelmente em custos altos de manutenção, porque a edificação tende a se deteriorar”, diz.

 

E diante de uma realidade que não agrada à população o governo deve investir um valor pouco acima de R$ 581 mil para melhorar as condições da circulação dos trens. O valor corresponde à expansão da linha de metrô para a região norte do DF e conclusão das obras de outras três estações da Asa Sul. A primeira fase foi orçada em R$ 395,6 mil. 

 

Licitação

 

O aviso de licitação foi publicado no Diário Oficial do DF, dia 14 deste mês. O objetivo é até 2015 levar uma estação do transporte ao início da Asa Norte, na altura do Hran. Já o segundo investimento se refere à finalização das obras das estações 104, 106 e 110 da Asa Sul.  Para o término das construções está previsto R$ 186,8 mil, cujo aviso já foi publicado no Diário no último dia 17.

 

A administradora Maria Jucirene de Sousa, 31 anos, reclama das condições do sistema. “Está sempre superlotado e o valor de R$ 1,7 bilhão iria beneficiar muito o transporte público do Distrito Federal e quem usa os coletivos e ônibus.”

 
Versão Oficial

 
O Jornal de Brasília tentou entrar em contato com as autoridades do GDF envolvidas na questão, mas não obteve resposta. A Secretaria de Comunicação só disse que o Mané Garrincha e o Metrô são equipamentos urbanos voltados para o desenvolvimento do DF e que fazem parte do planejamento para melhorar a qualidade de vida da população.

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