Francisco Dutra
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Mesmo após o fim do prazo estabelecido pela Justiça para a desocupação voluntária da invasão do Novo Pinheiro, invasores mantêm pés e barracos firmes, na vizinhança da QNR 01, em Ceilândia. Ontem, líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), organizador da ocupação irregular, se reuniram com representantes do Governo do Distrito Federal (GDF), no Palácio do Buriti. Enquanto isso, novos barracos são montados. A quantidade de invasores cresce a cada dia.
Na conversa, o Executivo deixou claro que não irá tolerar a invasão e apresentou duas propostas para a desocupação pacífica. A primeira delas é o recadastramento habitacional das 1.499 famílias presentes na invasão, localizada em um terreno público da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). A segunda é a oferta do auxílio eventual de vulnerabilidade. Trata-se de uma ajuda social para pessoas carentes, prevista pela legislação federal.
A reunião teve participação do secretário de Governo, Paulo Tadeu, e o secretário de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda, Daniel Seidel. Os representantes deixaram claro que os benefícios serão concedidos apenas às pessoas que tiverem direito e possuírem documentos e requisitos necessários. O GDF considerou a conversa positiva e espera solucionar a questão sem violência até o final desta semana.
Os líderes do MTST devem debater as propostas com os invasores, cujo número total beira cinco mil pessoas. Uma nova reunião com o Executivo deverá ocorrer, para definir se o movimento aceita ou não as sugestões. A conversa pode ser ainda hoje. Caso não sejam aceitas, a situação se tornará mais dramática, em função da iminência de uma decisão judicial pela retirada imediata do local. Neste cenário, policiais e agentes de fiscalização poderão ir até o Novo Pinheirinho para desmontar os barracos da ocupação.
Segundo um dos representantes do MSTS, Renato Rocha, 31 anos, a invasão não irá abandonar o terreno sem garantias concretas. “No ano passado, o governador prometeu para a gente, quando estávamos em Brazlândia, que teríamos um auxílio moradia. Pagou apenas dois meses. A invasão é nossa base de negociação. Só vamos sair daqui se recebermos uma terra provisória ou se o voltarem a pagar o auxílio moradia”, comentou.
Afirmando não ter armas, os invasores garantem que vão resistir, caso o GDF tente uma desocupação à força. “Sabemos da truculência da polícia. Mas enquanto não partirem para cima de nossas famílias, enquanto elas estiverem intactas, não vamos fazer nada. Mas se tiver qualquer coisa, haverá sangue. E estamos aqui para pagar o preço”, afirmou Rocha.