Da Redação
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A expectativa em torno da invasão do Novo Pinheirinho aumentou. A assembleia do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) foi adiada para esta tarde. Na ocasião, os invasores devem avaliar as propostas feitas pelo GDF para a retirada pacífica do terreno, situado nas proximidades da QR 01 de Ceilândia. As 1,5 mil famílias participantes da invasão não demonstram a intenção de desocupar o local tão cedo.
Entre os membros do movimento, existe desconfiança a respeito da palavra do GDF. Eles contam que no ano passado, o governo havia prometido um auxílio aluguel de R$ 408, mas suspendeu a ajuda após dois meses. “Esse governo nunca cumpre com as promessas. Cumpre só com os ricos. Eles podem invadir e com eles não acontece nada”, desabafou Vagner da Costa Faria, 24 anos.
A entrada no terreno público, que pertence à Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), é monitorada pelos líderes do MTST. Apesar do controle, os invasores estão apreensivos, especialmente, no caso de um desfecho violento para o episódio, caso o governo decida pela retirada forçada, lançando mão da Polícia Militar e outros órgãos de fiscalização. “Minha expectativa? É de medo mesmo. Espero que não seja necessário um confronto”, resumiu Cleuza Lima da Silva, 27 anos. Ela é uma das cozinheiras responsáveis pelas sete cozinhas comunitárias da invasão.
Sinais de organização são vistos em todos os pontos do local. Além da divisão por áreas e cozinhas, a ocupação conta com banheiros e os primeiros sinais de luz elétrica já podiam ser vistos. As informações quanto ao perfil dos invasores são variadas. Enquanto os líderes pontuam que 90% dos envolvidos são desempregados em busca de um lar, é possível ver carros e outros veículos na vizinhança, que seriam de propriedade dos manifestantes.
Outro ponto que chama a atenção é a adesão de novas pessoas ao Novo Pinheirinho. O movimento original que teve a promessa não cumprida pelo governo estava em Brazlândia no ano passado. Após o começo da invasão, outras pessoas com outras histórias de vida passaram a participar da ocupação. O fato de pessoas com perfis distintos estarem na invasão pode influenciar nos rumos do movimento.
Decididos a só abandonar o local com um teto para morar, os invasores não escondem a decisão de enfrentar o governo em caso de uma desocupação forçada. Alguns comentam que poderão fazer uma corrente humana para evitar a derrubada dos barracos. Entre eles, está claro que o próprio GDF teme a desocupação pela força, em função do desgaste que a violência poderá gerar a imagem do governo.
As propostas do governo para a retirada são a oferta de um auxílio eventual de vulnerabilidade (de valor variável em função da renda per capita das famílias) e o recadastramento dos invasores nos programas habitacionais públicos.