Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Brasília

Instituto Casa Da Vila irá oferecer cursos para mulheres em situação de vulnerabilidade

A iniciativa é, em parceria com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, para inserir mulheres no mercado de trabalho

Por Mayra Dias 26/10/2021 5h44
Paulo Henrique Carvalho. Agência Brasília

“Reconhecemos a desigualdade de oportunidade entre homens e mulheres, e vamos mostrar que ela deve e pode ser reduzida, com ações concretas e educação, empreendedorismo e geração de emprego e renda”, explica Camila Arantes, presidente do Instituto Casa Da Vila, que irá oferecer, para mulheres em situação de vulnerabilidade financeira, cursos gratuitos de qualificação. Intitulado Projeto Ártemis, o objetivo da iniciativa é, em parceria com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, inserir mulheres no mercado de trabalho.

Segundo Camila, essas mulheres precisam de igualdade no mundo do trabalho e independência financeira, para não ficarem à mercê de seus companheiros. Desta forma, o projeto contará com o apoio da Casa de Cultura Telar, do Instituto Carvalho e do Centro Espírita Aprendiz do Evangelho, e está com inscrições abertas para cursos e seminários gratuitos de capacitação profissional, que serão realizados, a princípio, em Ceilândia, Riacho Fundo e Planaltina.

As participantes, como esclarece a presidente do Instituto, serão selecionadas por ordem de inscrição, que devem ser feitas no local do curso. A prioridade, por sua vez, são as moradoras e/ou trabalhadoras de cada satélite, assim como as mulheres desempregadas. As inscrições ficarão abertas enquanto houver vagas disponíveis. Camila pontua ainda que, entre os cursos oferecidos estão, curso de Pintura em Tecido e Crochê, de Corte e Costura e de Gestão e Produção Cultural.

Se tratando dos seminários, estes irão abordar temas importantes como “Diálogos Contemporâneos – Empoderamento Feminino e Cultura de Paz e Discriminação de Gênero no Trabalho”. O seminário de abertura acontece dia 26 de outubro e o início das primeiras oficinas, de corte e costura e pintura em tecido, dia 27 deste mesmo mês. Camila ressalta, contudo, que essas atividades fazem parte da 1ª etapa do projeto, e que em breve terá outras oficinas e seminários divulgados.

Não é de hoje

Conforme compartilha a dirigente do Casa, esse projeto vm sendo idealizado desde 2019. “No entanto, o surgimento aconteceu após alinharmos em grupo que tal demanda era necessária, concentrar estas ações em um único projeto e descentralizar em núcleos, pulverizando o alcance de mulheres em diferentes cidades do DF”, conta Camila.

O projeto, como ela ressalta, foi tecido através do trabalho de diversas mulheres, que já atuam de forma orgânica em seus territórios, abraçando outras mulheres e abrindo portas para os processos de empoderamento através da autonomia financeira que estas buscam Tal atividade, de acordo com Camila, acontece a partir das capacitações que recebem.

O projeto, que terá início agora, busca atingir 800 mulheres diretamente. Ao longo do seu processo de elaboração, foram feitas pesquisas de campo e análise de dados oficiais como a pesquisa da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), de 2013. “Esse levantamento infere um cenário onde, nas localidades atendidas pelo projeto (Ceilândia, Riacho Fundo e Planaltina), as mulheres permanecem preteridas no mercado de trabalho, ou seja, para atingir os mesmos patamares que os homens, elas devem proceder esforços muito maiores, seja de capacitação, seja de abdicação da maternidade ou outra escolha que as tornem mais competitivas”, argumenta a presidente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Empoderamento

Desse modo, a fim de contornar essa realidade, o Ártemis chega para desenvolver o empoderamento das mulheres das regiões administrativas mais pobres, o que contribui, inclusive, para a sensibilização dos homens ante as causas femininas. “Ademais, o intuito é fomentar, nestas regiões, a capacitação dessas mulheres, fornecendo a elas um conjunto de conhecimentos técnicos capazes de mudar a sua realidade”, defende, acrescentando que é por essa razão que o projeto oferta cursos e seminários com temas específicos relacionados à empoderamento e orientações técnicas sobre o mercado de trabalho.

Desde 2005 ajudando as mulheres

Quanto às respostas que a iniciativa já vem apresentando, Camila revela que, hoje, o projeto já recebe ligações, inclusive de homens, interessados em saber se mulheres de outras cidades poderiam participar. “Isso é um processo bastante interessante, justamente pela compreensão desse processo, o que, de certa forma, também fortalece os vínculos nas famílias”, conclui.

Criado em dezembro de 2005, o Instituto Casa da Vila é uma associação privada, sem fins lucrativos e que, há 16 anos, atua na área de promoção e manutenção da diversidade do patrimônio cultural e artístico brasileiro. Para alcançar esse propósito, são realizadas mostras étnicas, seminários, mesas redondas, debates, ciclos de palestras, cursos, reuniões, conferências, exposições, espetáculos artísticos, e projetos como festivais de cinema. “O foco de atuação é justamente na promoção de conteúdos e iniciativas culturais, atividade esta que desempenha há mais de 14 anos, principalmente através das ações musicais”, desenvolve Camila.

Desde 2016, a Casa da Vila vem realizando também intervenções culturais de ocupação de espaços públicos, com projetos independentes e em parceria com entidades como a Fundação Cultural Palmares e o Ministério da Cultura. “Temos o Projeto Arte Aonde eu Queria, que circulou no Paranoá e Sobradinho, atuando com artistas e produtores locais, o Projeto Fora do Eixo e Eixo Cultural Norte, no Guará, Recanto das Emas, Núcleo Bandeirante, além do trabalho de dança negra contemporânea, no Centro de Dança”, declara a responsável pelo projeto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE








Você pode gostar