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Brasília

Incertezas sobre gestão do Mané

Arquivo Geral

28/06/2013 10h30

O prejuízo com a realização dos jogos no Estádio Mané Garrincha provocou uma espécie de inquietação sobre a gestão da arena, após reportagens publicadas pelo Jornal de Brasília. A arrecadação do duelo entre Flamengo e Santos, que aconteceu há mais de um mês, pode ter sido o ponto de partida. O jogo acumulou R$ 6,9 milhões, mas rendeu nada mais que R$ 4 mil para os cofres públicos – valor do aluguel do espaço. Três dias depois, em 29 de maio, integrantes do Conselho de Administração da Terracap   discutiram sobre um modelo de negócios para o estádio, que até então não existe.

 

O valor do aluguel estava previsto no Decreto 29.598 de 2008. E, a toque de caixa, o governo decidiu fazer uma alteração e aumentar a arrecadação com os eventos esportivos. A partir de agora, 13% da renda bruta dos cinco primeiros jogos será destinada para a conta do Tesouro do DF. Depois, o percentual de arrecadação muda para 15%, além do custeio com as despesas de energia. O próximo jogo, em 6 de julho,  entre Flamengo e Coritiba, já acontece com as novas regras. 

 

Para os eventos culturais, nada   foi decidido e   permanece o valor   definido em 2008, R$ 10 mil. O secretário extraordinário da Copa, Cláudio Monteiro, aponta que nesses casos as regras ainda serão avaliadas e definidas. “Não tivemos ainda um evento teste na área cultural para avaliar o   impacto. O primeiro será o Renato Russo Sinfônico, neste sábado”, explica.

 

Embora o governo garanta que o decreto de ontem não possui relação com a reunião do Conselho de Administração da Terracap, uma provável aflição sobre o rendimento que o tesouro local obteve com a partida teste no mês maio estava visível. Assim, o fracasso dos R$ 4 mil já poderia estar afetando o governo. 

 

Sem o retorno esperado

Durante o debate acerca de um plano de negócios do estádio que reuniu seis conselheiros da Terracap, além do presidente Antônio Carlos Lins, houve uma discussão sobre o fiasco dos R$ 4 mil. O montante não foi revertido nem em prol da Terracap nem mesmo para a própria manutenção do estádio. 

 

Ou seja, o dinheiro não foi suficiente nem para suprir os gastos de serviços praticamente que diários da arena. Segundo a ata da reunião, publicada na edição de quarta-feira do Diário Oficial do DF (DODF), “diversos conselheiros questionaram se não teria sido o caso de garantir pelo menos os custos para a manutenção do estádio por ocasião do jogo”.

 

Portanto, foi salientada por parte do conselheiro Fernando Pimentel a necessidade de um plano de negócios para evitar mais prejuízos.

 

Cadê o plano de negócios?

A ata da reunião da Terracap é clara no quesito de arrecadação dos valores. Ela diz que será fundamental buscar modelos que permitam não só arcar com os pesados custos de manutenção, mas, gradativamente, amortizar e remunerar os pesados investimentos feitos pela Terracap e acionistas (GDF e União).

 

Na publicação, Pimentel lembrou que a inexistência de um plano de negócios representou complicador para a tomada de decisões ao longo da construção. “Agora, com o Estádio já construído, e sua próxima reversão para o controle da Terracap após a Copa das Confederações, uma estratégia de negócios se faz mais premente do que nunca”, consta no documento.

 

O professor de Finanças Públicas da UnB Roberto Piscitelli destaca que o rendimento de R$ 4 mil em um jogo que arrecadou R$ 6,9 milhões é 0,06%. “Não se conseguiu arrecadar praticamente nada. Como o GDF consegue um valor tão pouco?”

 

Quando não se consegue retirar o essencial  para manutenção o empreendimento se torna inviável. Ele diz que, se se considerar R$ 6,9 milhões, os novos percentuais de uso dariam retorno para o DF de R$ 90 mil (renda bruta de 13%) e R$ 105 mil (renda bruta de 15%). “Um jogo por mês dessa amplitude daria para resolver o problema dos gastos de manutenção”.

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