Fogo que começou no Jardim Botânico atingiu grande parte dos 4,5 mil hectares da Fazenda Água Limpa (FAL) da Universidade de Brasília. O incêndio começou por volta das 12h, foi contido durante a madrugada e voltou no início da manhã.
Desde a tarde de ontem, cerca de 30 funcionários da universidade trabalham exaustivamente para conter as chamas. Parte das espécies vegetais utilizadas em pesquisas foram completamente destruídas. “Os prejuízos ambientais são incalculáveis”, afirma o diretor da FAL, José Mauro da Silva Diogo.
Quando o fogo foi percebido, funcionários da Fazenda e do Jardim Botânico começaram a trabalhar para controlá-lo. “Os bombeiros só chegaram no começo da noite, quando o fogo já estava muito intenso”, explica o diretor. José Mauro conta que as chamas eram tão altas que tornou arriscado o trabalho para os funcionários da Fazenda.
Seu Elias, um dos funcionários, decidiu passar a noite na Fazenda de ontem para hoje para ajudar a minimizar o fogo. “Eu e outros colegas só paramos de trabalhar às 2h30 da manhã. Fizemos uma jantar lá na sede e voltamos para apagar o fogo”, disse, após completar uma jornada de mais de 24h de trabalho.
O grupo de 30 homens que tenta desesperadamente conter as chamas é conduzido por Milton Machado, chefe de segurança da Fazenda. Grande parte do esforço para acabar com as chamas é feito por eles. “Estamos aqui desde o meio-dia de ontem. Não paramos nem na madrugada”, disse.
Milton trabalha há cinco anos na Fazenda. “Nunca vi um fogo como esse. O prejuízo é total. As perdas são muitas”, afirmou. Mesmo sem nenhum animal atingido pelas chamas, houve corre-corre para salvar o gado. Uma extensa parte do incêndio atingiu o pasto dos bichos. “Conseguimos salvar todos, mas foi na correria”, disse Milton.
PERDAS – A Fazenda Água Limpa abriga mais de 150 projetos de pesquisa de várias unidades acadêmicas da UnB. “A áreas de pasto, por exemplo, foram completamente perdidas”, afirma o diretor. “Só vamos saber o quanto foi destruído pelo fogo quando cada pesquisador puder contabilizar suas perdas”.
Apesar das perdas de espécies vegetais, os animais domésticos e as edificações foram protegidas. Dois filhotes de tamanduá foram salvos pela equipe da UnB. “Por outro lado, muitas pesquisas foram perdidas, mas ainda não é possível estimar ainda o tamanho das perdas, inclusiva na área selvagem”, explica José Mauro.
No fim da manhã de hoje, a maior preocupação era preservar a área de proteção ambiental. Para isso, os funcionários da UnB faziam o “contra-fogo”, técnica que usa a direção dos ventos e fogo para impedir que as chamas alastrem-se por uma área considerada importante.
Selma Karla, integrante do Corpo de Bombeiros, chegou à Fazenda por volta das 10h30. Acostumada a conter focos de incêndico comuns no período de seca, ela precisava cessar o trabalho para respirar e coçar os olhos, irritados pela fumaça preta. “Tá impossível. O vento está nos atrapalhando muito. É muito cansativo e complicado agir com o vento contra”, disse após percorrer cerca de 1 quilômetro apagando as chamas.
Michelle Vilela, professora da Faculdade de Agronomia e Veterinária (FAV), estava aliviada por não nenhum foco de incêndio ter atrapalhado suas pesquisas. “Por lá não houve nada, mas é tudo muito ruim. Dou aulas aqui todos os dias. É triste ver isso”, disse a pesquisadora que estuda o melhoramento genético em maracujás.